Isaac D. + Born Cartolla (resenha dupla)

Isaac D. e Born Cartolla são duas obras que adquiri quando participei do financiamento coletivo de Isaac D. As duas obras foram abraçadas pela editora AVEC e têm em sua essência muita imaginação e inovação. Confira abaixo minhas impressões sobre cada uma delas.


Título: Isaac D. | Autor: Leandro Pileggi | Editora: AVEC | Gênero: aventura, fantasia| Páginas: 248 | Ano: 2019 | Nota: 4 / 5


 E se você acordasse e fosse outra pessoa?

E se criaturas inomináveis surgissem por toda a parte?

E se só você percebesse que elas estão ali?

E se elas viessem atrás de você? Você correria? Se esconderia? Ou você lutaria…

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Isaac D. é uma Light Novel do Leandro Pileggi, autor que tem por ofício a psicologia. Acredito que muito de sua criatividade e facilidade em ser empático e transmitir isso se deve a suas experiências profissionais. Como uma Light Novel, contém muitas ilustrações, que foram feitas magistralmente pelo autor de Born Cartoll, o Levi Tonin.

Isaac é um menino da fazenda que vai à cidade grande para iniciar seus estudos na universidade. Ele se vê perdido e procura ajuda, mas as pessoas da cidade grande não são muito receptivas. Quando encontra um morador de rua, finalmente entende o caminho que deve tomar para chegar a seu destino. No entanto, os futuros colegas batem a porta na cara dele e Isaac dorme lá mesmo, do lado de fora e no frio.

Quando acorda, descobre-se no corpo de outra pessoa. Sem entender nada, ele “segue o jogo”. Se viver no corpo de outra pessoa já estava difícil, imagina quando Isaac começa a encontrar seres estranhos que passam a persegui-lo. Nessa fuga ele troca de corpo dezenas vezes, até que divide o corpo com Katarina, uma golem. Ela parece entender mais ou menos o que está acontecendo e leva Isaac (dentro dela) a seu refúgio, que mais parece um universo paralelo ao nosso.

Lá Isaac ganha um corpo e passa a interagir com seus novos amigos, a maioria espectros que não abandonaram o mundo físico devido a assuntos inacabados – sabe esse seu fascínio por GOT e a espera pelos últimos dois livros? É, sua alma pode não se desprender deste mundo porque você precisa saber o fim da história.

Parece tudo calmo, até que as criaturas que o perseguiam chegam lá também. Mas por que essas criaturas perseguem Isaac? Quem é Isaac? O que aconteceu com aquele garoto que dormiu na porta do dormitório da universidade?

Isaac D. é uma leitura rápida e cheia de ação e emoção. Com muitas referências a Lovecraft – tem inclusive um plot, que é o conto “Dagon” de Lovecraft adaptado e que se conecta a história principal – e à cultura pop, as aventuras de Isaac rendem boas risadas. Porém, não só de risadas é feita a obra, tem algumas críticas ao caráter das pessoas, ao modo de viver da sociedade, etc.

Eu adorei a relação entre Isaac e Katarina, os diálogos são o ponto forte, e têm muita inspiração em mangás… uma amizade entre um garoto ingênuo e uma garota badass. Aliás, creio que essa inspiração está no ritmo da história também. O mais legal para mim, é que nem o leitor nem os personagens entendem o que está acontecendo, e vão descobrir juntos o mistério que ronda a história.

Esta obra é, definitivamente, um prato cheio de diversão e emoção, e é facilmente lida em apenas um dia, apesar de suas 248 páginas.

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Título: Born Cartolla | Autor: Levi Tonin | Editora: AVEC | Gênero: fantasia, mangá| Páginas: 408 | Ano: 2018 | Nota: 3 / 5


Galla Cartolla é uma misteriosa viajante mágica, cuja bagagem é apenas o chapéu. Perdida em trilhas mundo afora, sua jornada se vê em um ponto crucial ao encontrar Terry MAC Éan, um garoto cego, vítima da mais temida criatura mágica, a Sombra Absurda. Com seu sangue mágico, a jovem cura Terry, trazendo sua visão de volta. Prometendo apresentar a ele os mais diversos lugares pelo mundo, ambos partem numa breve viagem, mas que alterará todo o equilíbrio do mundo mágico. Amarrada a grandes decisões, influenciada por anseios insondáveis, Cartolla reascende ao universo viajante para evitar seu declínio total, enquanto Terry, vislumbrando o novo mundo, deseja abandonar a forma humana, se tornando viajante. Criaturas misteriosas, organizações revolucionárias mágicas, chapéus milagrosos, tudo vale no mundo mágico de Born Cartolla, onde só o inimaginável tem vez.

Viajantes, no mundo criado por Tonin, são uma espécie de humanos com poderes mágicos advindos da conexão com a natureza. Eles destroem as forças malignas, criadas a partir da mente humana, e percorrem o mundo todo em sua missão. Um viajante não tem lar, não pode ficar parado numa mesma região por muito tempo, ainda assim existe um refúgio onde eles podem se reunir esporadicamente.

Em Born Cartolla, vamos conhecer os feitos dos Viajantes através de Galla Cartolla, uma das Viajantes mais temidas e poderosas. A leitura é feita sob a ótica de Terry Mac Éan, um humano cego a quem Galla devolve a visão com seu sangue e que decide acompanhá-la em sua jornada.

Nesse universo, há uma disputa entre os que acreditam agir de acordo com os anseios da natureza e os que acreditam que podem dominá-la. A partir do momento em que esse plot é apresentado, e isso não tarda a acontecer, é só ação. E devido ao foco na ação, eu fiquei frustrada por não me afeiçoar a nenhum personagem. São muitas identidades envolvidas no conflito, mas o espaço é tomado essencialmente por Galla e um pouco por Terry e Gerrard.

Encantou-me o sistema de magia criado pelo autor, principalmente a característica da família de Galla, que obtém suas façanhas através das tatuagens em seu corpo. A premissa sobre o envolvimento com a natureza, o papel das pessoas no mundo e o perigo que os pensamentos humanos podem gerar foi um ponto alto. Mas senti falta de desenvolvimento, acho que a história correu demais. Ainda assim, é possível que essas lacunas sejam preenchidas por Tonin em outros mangás. Mesmo que Born Cartolla seja concebido para ser um volume único, creio que há como melhorar esse universo e conquistar novos leitores. As ideias desta obra são inovadoras, e os combates abusam da criatividade.

Talvez eu tenha me decepcionado porque esperava um mangá, e para mim, Born Cartolla é uma Graphic Novel. Eu adorei o traço do Levi, porém, em alguns momentos o traço se tornava muito apressado e negligenciava as feições e expressões humanas. A sequência de quadros, alguns diálogos com excesso de explicação que cobria quase toda a ilustração, a forma de usar onomatopeias, a ordem de leitura ocidental, os quadros com excesso de informação visual  e uma arte repleta de hachura, tudo isso me afastou do conceito de mangá.

Ademais, foi uma ótima experiência de Graphic Novel, e eu espero que esse universo cresça, pois o Levi Tonin está apenas começando e tem muito a nos oferecer.

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