Vox

Título: Vox | Autor: Christina Dalcher | Editora no Brasil: Arqueiro | Gênero: distopia | Páginas: 319 páginas | Ano de publicação no Brasil: 2018 | Nota: 2,0 / 5,0


As distopias vêm ganhando cada vez mais espaço no mercado literário brasileiro nos
últimos anos. Acompanhamos a ascensão de histórias como a trilogia ​Jogos Vorazes​, a série ​Divergente​ e a “redescoberta” de ​O conto da aia​. Todas essas obras partilham de elementos comuns: protagonistas femininas encurraladas em sociedades opressoras, lutando contra ou resistindo às regras impostas naquele espaço. ​Vox​, da estreante Christina Dalcher, vem embalado por esses sucessos.

O livro é narrado por Jean McClellan, uma neurolinguista renomada, que se vê presa em uma situação que sempre lhe pareceu, no mínimo, utópica: um decreto determina que todas as mulheres dos Estados Unidos devem receber pulseiras que controlem o número de palavras ditas diariamente por elas; o número não deve passar de 100. Além disso, as mulheres têm seus passaportes, notebooks, celulares, livros e contas bancárias confiscados. Todos os dados e senhas são entregues aos maridos, irmãos ou pais, que passam a exercer o controle de suas atividades.

Jean vive uma situação tensa ao lado dos filhos e do marido em casa. Mãe de um
adolescente e dois meninos gêmeos, ela vê a diferença causada pelo novo “regime” no crescimento da caçula Sônia, que aos 5 anos, recebeu a pulseira contadora. Indignada pelo fato de a filha estar cada vez mais acostumada a se comunicar apenas por gestos enquanto os filhos têm acesso a cada vez mais recursos educacionais – ainda que questionáveis – Jean se mostra claramente insatisfeita com o machismo envolvido no cumprir daquelas regras.

Não bastassem as mudanças em sua vida doméstica, Jean ainda teve suas pesquisas
interrompidas. Ela estava desenvolvendo, junto a outros profissionais, um soro capaz de restaurar a capacidade de fala em vítimas de problemas ou acidentes cerebrais, e obtendo sucesso em sua pesquisa. Tudo foi pausado pelo governo.

O grande conflito da história começa mesmo quando o próprio presidente norte-americano liga para Jean pedindo ajuda: seu irmão, braço direito na política, sofreu um acidente e isso afetou sua capacidade de fala. É uma convocação extraordinária, que concede a ela alguns privilégios como a retirada da pulseira pelos dois meses em que vai trabalhar no projeto de finalização do soro. Parece a oportunidade extraordinária para detonar um regime misógino.

A narrativa é empolgante, bem escrita e instiga a curiosidade do leitor. As páginas fluem com os capítulos curtos e a premissa da distopia de Dalcher é bastante interessante. O desenvolvimento do tema central, no entanto, tem muitos problemas.

O problema principal do livro: em alguns momentos é uma distopia quase feminista, cheia de engajamento, questionamentos e ácidas críticas aos valores patriarcais. Em outros momentos, envereda-se para a ficção científica, deixando de lado a “luta” pelo mundo mais justo. Por que é um problema? Basicamente, porque essas duas “facetas” não estão bem costuradas entre si e pelo fato de o livro dar um final bastante fraco, ou, no mínimo, machista para o problema que se propôs a discutir.

De modo panorâmico, é uma leitura divertida, bem escrita, mas que tem um final frustrante e previsível. Acho que a leitura vale pela discussão de alguns valores e situações críticas tratadas na obra, mas desde que o leitor não alimente muitas expectativas pela conclusão.

Você pode adquirir essa obra em formato físico ou em formato digital para o kindle aqui.


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