It (A coisa)

Título: It (A coisa) | Autor: Stephen King | Editora no Brasil: Suma | Gênero: terror | Páginas: 1210 páginas | Ano de publicação no Brasil: 2014 | Nota: 4,0 / 5,0


O medo, ah, o medo… O que ele é capaz de fazer com as pessoas? Alguém extremamente amedrontado pode criar coragem suficiente para matar, dando fim ao pavor, ou é capaz de morrer por não suportar tal angústia. Esse sentimento dúbio é o grande combustível dessa história de Stephen King, autor consagrado e reconhecido por outros clássicos como ​Um Sonho de Liberdade​, ​Misery – Louca Obsessão​, ​O iluminado​, ​Carrie, a Estranha​, entre outros vários títulos, muitos dos quais adaptados para o cinema, incluindo o próprio ​It​.

A história se alterna entre o início da adolescência e a vida adulta dos amigos Mike, Bill, Ben, Eddie, Stan, Richie e Beverly. Todos se conhecem na escola, na pacata Derry, no estado do Maine, em 1958. Cada um deles é maltratado no ambiente escolar por um motivo diferente, e ao se unirem, formam o Clube dos Otários. Mike é vítima de racismo, Bill é gago, Ben é gordinho, Eddie parece sofrer de asma, Stan é judeu, Richie é um piadista desaforado e magrelo, e Beverly, acusada de ser uma “vagabunda” por dispensar os gracejos dos valentões da escola.

A ação começa quando eles se unem em torno do grande drama da vida de Bill, considerado o líder do grupo. O menino perdeu o irmão caçula, George, de forma misteriosa num dos bueiros da cidade. Arrastada para dentro de um deles, a criança foi assassinada, e passa a ser a obsessão de Bill descobrir quem é o responsável.

O grupo de amigos começa a investigar o ocorrido e descobre que uma forma horrorosa assombra a cidade Derry desde a sua fundação: o terrível Pennywise. Embora popularmente divulgado como um palhaço, a criatura demoníaca pode se transformar em qualquer coisa, especialmente no maior medo de quem estiver enfrentando.

Depois de uma árdua batalha, todos unidos aos 13 anos de idade, eles acreditam ter matado o monstro, e com um pacto de sangue, prometem voltar a se unir caso seja necessário. O que não esperam é que após 27 anos do ocorrido, Mike, o único a permanecer na cidade, entra em contato com cada um para avisar que Pennywise voltou a atacar. Poucos deles sequer se lembram de Mike, e precisam juntos despertar de uma amnésia aos 40 anos.

Embora o livro seja de terror – quanto a isso, nenhuma dúvida -, também faz um pouco o papel de análise sociológica de dramas estadunidenses comuns nas comunidades escolares e no país de modo geral. É típico de King retratar o cotidiano fora do circuito nova-iorquino e ter suas histórias mais ambientadas no interior do país. Temas como racismo, abuso de menores, síndrome de Münchausen, homofobia e ​bullying​ são abordados em toda a rede familiar dos personagens e em toda a atmosfera da pequena cidade.

Sempre que It é citada como uma obra marcante, vejo que os leitores se assustam com as 1200 páginas, mas garanto duas coisas: primeira, a leitura flui rápido e o texto é gostoso, muito bem escrito; a segunda é que, para entender o horror que essas pessoas passaram e conhecer o verdadeiro monstro da história, é preciso criar um certo vínculo com as personagens, o que só pode acontecer depois de uma longa narrativa, ou pelo menos essa foi a estratégia encontrada por King para conquistar nosso corações e depois partir para cenas arrepiantes.

O Clube dos Otários é envolvente, tem personagens com os quais nos identificamos, tanto como crianças genuinamente amedrontadas quanto como adultos cercados de incertezas. O pavor que sentimos do vilão principal e dos secundários é real, e King consegue nos segurar roendo as unhas em vários momentos de suspense.

Há uma cena bastante comentada por sua polêmica, e que sua recente adaptação para o cinema preferiu deixar de fora. Não vou dar spoiler no texto, mas deixo aqui o link com o comentário do King a respeito disso, quase 31 anos depois do lançamento da obra e o outro com o motivo detalhado da minha indignação. Registro aqui que considero uma cena desnecessária, apelativa e um pouco machista pelo propósito investido em uma das personagens, e que diante do conjunto, para mim, não merece a nota máxima, 5.

Com exceção da cena descrita acima, o livro é obra-prima – não apenas do terror, mas também da literatura de modo genérico – e merece um lugarzinho na sua estante em algum momento da vida. King é King, e mesmo com críticas, segue como uma de minhas obras favoritas na vida. A principal mensagem é de que a amizade e a coragem podem superar todos os males do mundo, e nem uma cena ruim foi capaz de estragar isso. Uma grande mensagem em grande livro, recomendo muito!

Você pode encontrar o livro “It (A coisa)” aqui.


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