Papa-Capim: Noite Branca

Em 19 de abril, comemora-se no Brasil o ​Dia do Índio​. A data foi instituída em 1943, ainda no governo Getúlio Vargas, e desde então, tornou-se um símbolo da luta dos povos indígenas do Brasil para a preservação de sua cultura e garantia de seus direitos. Que tal nesse feriado conferir uma HQ nacional de mistério e terror ambientada na cultura tupi? Dá uma olhada na resenha abaixo e aproveita para conhecer um pouco mais das lendas dos povos indígenas do Brasil.


Título: Papa-Capim: Noite Branca | Autor: Roteiro de Marcela Godoy; Ilustrado por Renato Guedes | Editora: Panini, selo Graphic MSP | Gênero: Terror | Páginas: 82 páginas | Ano de publicação no Brasil: 2016 | Nota: 5,0 / 5,0


Papa-Capim sempre foi um personagem bastante discreto, representado em sua infância na maior parte das vezes em que aparece nas histórias de Mauricio de Sousa. Em sua aventura no selo Graphic MSP da Panini, que propõe releituras dos personagens clássicos de Mauricio, conhecemos mais uma faceta do carismático indígena, que apesar do nome de passarinho, vem em formato de outro bicho para contar essa nova história.

A história de Papa-Capim começa em sua tribo, tupi, na qual guerreiros começam a voltar alucinados da mata para casa. Os homens atormentados que ainda voltam vivos só conseguem expressar uma única frase: “noite branca”.

O jovem indígena tem um misterioso sonho e tenta alertar o pajé sobre algo errado que acontece nas redondezas, mas é duramente repreendido. Magoado, Papa-Capim precisará encontrar respostas em sua ancestralidade, resgatando antigas lendas e espíritos da floresta para encorajá-lo a se livrar da maldição que assola a sua tribo.

Embalado pelo clássico poema de Gonçalves Dias, ​I-Juca Pirama​, o passarinho Papa-Capim logo se descobre onça, cobra, macaco, guerreiro e consegue amadurecer diante das adversidades.

O roteiro de Marcela Godoy é historicamente impecável, com uma pesquisa e sensibilidade notáveis para trazer à luz um personagem por tanto tempo minimizado em sua representatividade. Gostamos de ver personagens indígenas em histórias indígenas com lendas indígenas regendo. É isto! A arte de Renato Guedes é belíssima, com a paleta de cores da flora e fauna brasileiras, e mais: com a entidade indígena mais bonita que eu já vi com estes olhos leitores, Honorato. Por tudo isto, vale dizer: o passarinho cresceu, aprendeu a voar, e a Panini está de parabéns.

Você pode encontrar o livro “Papa-Capim: Noite Branca” aqui.


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