Terra Natal: A influência do território

O terreno influencia o comportamento de um povo, moldando sua sociedade de acordo com aquilo que oferece. Os recursos naturais com maior ou menor abundância; o clima com suas variadas estações; o relevo mais ou menos acessível…  Muito da visão de mundo de um povo é reflexo da geografia de sua terra-natal.

Em regiões férteis e favorecidas pelo relevo, pode-se desenvolver a agricultura e pecuária, o que permite a auto suficiência da população. No entanto, essas sociedades precisam aprender a se defender de grupos invasores que cobiçam os frutos do trabalho. Pois, no inverno ou na seca, quando faltam os recursos que a natureza oferece de graça, aqueles que não se preveniram da escassez atacam e roubam as reservas de mantimentos de outros povos.

Por outro lado, quando o número de pessoas da sociedade de agricultores aumenta, suas terras deixam de ser suficientes para produzir todo alimento que precisam. Expandir seu território torna-se uma necessidade e a espada passa a ser a ferramenta de trabalho. Claro que a expansão pode ser motivada por outras razões, mais ou menos nobres, como a ganância dos governantes ou o desejo de levar (impor) sua prosperidade e cultura a outros povos.

Reservas de minérios também oferecem vantagem à população. Um território rico em materiais valiosos e úteis como diamantes, ouro, ferro e até carvão, podem contribuir para o desenvolvimento da sociedade e despertar a cobiça de povos vizinhos.

Nas florestas tropicais, onde os recursos são abundantes sem a necessidade de cultivo, os desafios aparecem na própria natureza. Criaturas grandes e pequenas são igualmente ameaçadoras; e deve-se ter cuidado até com a vegetação. As habilidades de sobrevivência necessárias em alguns territórios causam o isolamento dos povos nativos, pois poucos estrangeiros são capazes de atravessar as barreiras naturais como cadeias de montanhas, florestas densas, ilhas isoladas, desertos…

Para povos muito isolados do restante do mundo, o contato social com outros grupos pode ser difícil de muitas maneiras. Além do idioma, a desconfiança com o “mundo exterior” ou “além da fronteira” pode se tornar uma barreira ainda maior. O exílio, nesses casos, pode ser uma condição autoimposta para preservar a cultura local.

Da mesma maneira que alguns terrenos podem isolar os povos, também podem aproximá-los. Seja pela necessidade ou curiosidade, alguns povos buscam o contato com os outros. Expansão do território, comércio, escassez de alimento, exílio político, êxodo religioso… São vários os motivos que levam diferentes culturas a se encontrarem. As relações, pacíficas ou hostis, são variadas de acordo com os interesses de cada lado.  

Em meio ao deserto, é difícil imaginar que uma grande sociedade se desenvolva, mas há rios e oásis que garantem a sobrevivência. Como essas regiões possuem carência de alguns recursos, é comum a prática de comércio com grupos vizinhos ou guerras para dominar regiões férteis.

No litoral do continente ou em arquipélagos, o mar pode despertar o desejo de explorar o mundo além da linha do horizonte. A produção dos barcos acompanha o desenvolvimento da sociedade e permite que aumentem o território. Com o grande fluxo de pessoas, indo e vindo das viagens marítimas, a população recebe conhecimento de várias partes do mundo. É possível que sejam hospitaleiros em suas terras, pois assim esperam serem tratados em suas viagens.

O clima é outro fator que afeta o perfil de uma sociedade. Seguindo a mudança das estações, com variações de temperatura e chuva com maior ou menor intensidade, as pessoas se adaptam às condições do tempo e aprendem a prever os períodos para plantar, colher, viajar, guardar mantimentos…

Há ainda os povos nômades. Esses não têm território definido seja porque a terra-natal foi destruída ou porque se formou com a união de andarilhos. Uma característica desse tipo de sociedade é a ausência de grandes construções. Desde as obras de arte até os abrigos, são formados por objetos que podem transportar em longas viagens.

Os grupos nômades, grandes ou pequenos, não produzem os recursos de subsistência, por estarem em constante movimento levam com eles, no máximo, alguns animais como cabras e galinhas. Para conseguir outros produtos que necessitam, precisam negociar (honestamente ou não) ou roubar (com ou sem violência).

Os deuses de uma sociedade costumam ser inspirados na natureza de seu território. Podem ser divindades das chuvas e tempestades, que regam as plantações ou destroem casas e matam animais quando estão enfurecidas. Talvez alguma árvore, montanha ou animais seja considerado sagrado, por ser o próprio deus ou o local onde ele mora. Para pescadores, os seres supremos que habitam as águas são os mais importantes, enquanto os agricultores pedem as bênçãos dos deuses que garantem uma boa colheita. Enfim, muito da cultura de um povo é reflexo da geografia de sua terra-natal.


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