O caso do ladrão de botas

Viajavam os aventureiros rumo a um vilarejo perdido em meio a um pântano. Caminhavam com dificuldade, dados os inúmeros obstáculos peculiares do terreno encharcado.
Assim, durante a difícil jornada, se iniciou uma discussão ententre os companheiros faladores e ociosos.
– Estou ansioso por uma lutar! Quero um combate difícil; daqueles que deixam gosto de sangue na boca, e mesmo depois de terminado, faz com que você fique  desconfado até da sua própria sombra! – Enfatizou o prodigioso guerreiro, um homem escuro de medidas avantajadas.
– Ora, ora… Vamos ver quando chegar a ocasião! – Ironizou o feiticeiro, um gnomo irritadiço. Este dizia poder amaldiçoar seus inimigos com apenas um estalar de dedos.
– Desconfia das minhas palavras “boneco”? – inquiriu o brutamonte.
– De forma alguma! Eu próprio, já me sinto derrotado… – Pareceu concordar o conjurador.
– Evidentemente! – Inflou o peito, como um peru, o homem de armas.
– Me refiro a tua falta de anseio! Os abutres nos perseguem há semanas.
– Mas que patife! – Revoltou-se o combatente – Se estão a nos seguem é exatamente pelo rastro de morte que costumo deixar. Eles próprios, os carniceiros, reconhecem um matador quando o veem!
– Creio pois que seja pelos restos de refeição nas tuas barbas, ou do fato de não te lavares após evacuar nas moitas. E nem vou entrar em mais detalhes nesse último…
– Se me chamar de imundo mais uma vez, dou-lhe uma boa surra, homem-pônei! – Ameaçou o valente.
Assim se encerrou o assunto, ao menos por aquele dia.

A noite transcorreu silenciosa. Os turnos de vigília foram tranquilos, a exceção do último, pouco antes do sol raiar. Coincidentemente, o feiticeiro era a peça da vez. Amanhecendo, todos despertaram.
No entanto, e iniciou outra confusão.
– Maldição! – Berrou o guerreiro – Onde está minha bota? Resta-me apenas uma! O que aprontou, ratazana? – Apontava o feiticeiro.
– Por que crê que ti fiz algo de mau? – Defendeu-se o baixo.
– Isso cheira a mais uma das tuas peças!
– Para mim cheira a fezes… Afasta-se!
– Miserável pequeno… – Proferiu entre dentes enquanto avançava estendendo as mãos a fim de apanhar o pequeno mágico.
– Deixa te falar a verdade… – Pediu o pequenino.
– Vai lá, infante… Começa!
– Antes que amanhecesse, me apareceu um alquimista…
– E?
– Acredite no que digo: ofereceu-me 2 peças por uma das tuas botas, disse precisar dela para concluir um veneno. Acalma-te, e toma cá teu dinheiro!


Assinatura_Crônicas - Ricargo Old Folk-09

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