Vilões – Os principais personagens das histórias

Os vilões são aqueles que motivam toda a história. São responsáveis por dar o pontapé inicial que gera o movimento. Sem eles não haveria razão para salvar algo ou alguém. Mas nem sempre esses desencadeadores da ação são pessoas!

Se não fosse pelas ações de Sauron, Koopa, Coringa, de alguma doença, tempestade… enfim, da “Sombra”, como define Christopher Vogler, não haveria motivo para o herói sair do conforto do lar e combater ou recuperar algo. Por essa razão, podemos dizer que o “vilão faz/cria o herói”.

Apesar de antagonista ser um termo mais correto em muitas histórias, vilões são entendidos como aqueles que rivalizam com os heróis. Podem ser um inimigo pessoal ou do mundo/universo inteiro, independente em qual nível de alcance, os vilões são a “energia” que deve ser combatida ou controlada.

Em uma situação de incêndio, por exemplo, na qual um anônimo salva a vida de alguém, com esse ato de bravura contra a ameaça causada pelo fogo, aquela pessoa torna-se um herói (vivo ou morto).

A primeira ideia que temos dos vilões é que são o lado mal da história. No entanto o certo e errado é apenas um “ponto de vista”. Dois povos rivais consideram-se certos em relação ao outro.  

É interessante quando desenvolvem o “inimigo” de maneira que haja justificativa para suas ações, não sendo apenas “conquistadores-cancerígenos”. Como acontece em algumas histórias com governantes que oprimem o povo até o limite, como um câncer que consome o corpo até a morte, condenando a si mesmo.

Quando compreendemos, mesmo sem aceitar, as atitudes do vilão, a história se torna mais profunda. Acompanhar a infância e toda a vida de Anakin Skywalker nos faz entender algumas ações de Darth Vader. Ele era um herói que sofreu uma “queda” no lado sombrio, mas ainda preservou o suficiente do lado bom para sua “redenção” no momento crítico.

A relação entre Luke e Vader retrata um tema clássico nos mitos. Na psicologia, o “Complexo de Édipo” trabalha a ideia que todo o filho compete com pai (Édipo, sem saber, mata o próprio pai e casa-se com a mãe). Nos mitos gregos Cronos mata Urano e Zeus mata Cronos. Em consequência, os filhos assumem o domínio dos pais.

As origens e motivações dos vilões nem sempre são necessárias. Apesar de criarem uma “Origem” para Hannibal Lecter (o canibal gourmet), considero um desfavor a um personagem tão completo justamente pela falta e desnecessidade de passado.

Os vilões psicopatas são aqueles que têm consciência do mal que causam, porém não se importam. O mal que praticam só é controlado pelo risco em relação a eles próprios. Um pensamento como: “Eu vou te matar. Não vou fazer isso, agora, porque posso sofrer consequências. Por isso vou te matar quando ninguém estiver olhando”.

Hannibal e Anton Chigurh (Onde os fracos não têm vez) demonstram, com naturalidade, uma total falta de emoções que não precisa ser explicada. Lecter, no entanto, é, apesar de tudo, um homem apaixonado. Capaz de um grande sacrifício em nome do amor.

Outra questão é que os vilões costumam ser o “reflexo distorcido” do herói. Ou são “extremos opostos” (Luz e Trevas) ou “rivais equivalentes” (Capitão-América e Caveira-Vermelha). E muitas vezes sofrem com uma relação de amor e ódio, por serem um casal (Batman e Mulher-Gato) ou amigos (Xavier e Magneto).

Umberto Eco fala que o inimigo do grupo de referência era sempre considerado inferior. Na questão estética, seria o mais “feio”, enquanto o herói realça os mais belos padrões de beleza da “nossa” cultura. Isso na intenção de desenvolver a aversão de um povo contra outro.

No universo criado por J.R.R. Tolkien, enquanto os elfos são belos e “bons” como anjos, representando várias virtudes; os orcs são feios e maus, equivalentes a demônios com sua aparência refletindo o ódio, medo e dor que sofrem e provocam.

Para encerrar, outra possibilidade de inimigo a ser enfrentado são os fenômenos naturais. A erupção de um vulcão, como no filme O Inferno de Dante ou uma tempestade em alto mar, Mar em fúria, podem ser o “vilão” a ser superado. Uma força inconsciente que demonstra o poder da natureza, como se fosse uma verdadeira divindade enfurecida.


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