O grupo como um personagem único

Não há personagem principal em uma campanha de RPG. Cada integrante do grupo contribui para a equipe superar os desafios. E essa ideia pode ser aplicada em outras narrativas.

Em uma história com protagonismo múltiplo, cada personagem tem sua importância individual, mas como grupo, formam um personagem único. Como indivíduos, possuímos diversas questões pessoais, enquanto na equipe cada integrante apresenta funções e conflitos próprios que são partes de um todo.

Como exemplos podemos ter: um casal, ou um triângulo amoroso, com o qual trabalhamos o romance. No mesmo grupo, pode haver quem precise resolver conflitos particulares, como diferenças e preconceitos raciais. Também é comum algum dos integrantes funcionar como alívio cômico, mesmo que tenha seus dramas é capaz de fazer o público rir e acrescentando o humor à história.

Habilidades diferentes entre os membros da equipe contribuem para o equilíbrio e dinâmica do grupo. Em determinados momentos o mais útil é a força bruta, enquanto na ação seguinte pode ser a magia, o conhecimento de história ou habilidade musical que se apresenta como indispensável para a conclusão da missão.

As personalidades também ajudam a diversificar as ações entre os vários personagens que compartilhem o protagonismo da história. Sentimentos de raiva, medo, o otimismo, a ganância… como indivíduos possuímos todas essas emoções, mas em um grupo podem aparecer através de alguma pessoa específica. O exemplo mais claro é o filme Divertida Mente, no qual as cinco emoções básicas são representadas por personagens próprios que compõem os sentimentos de um ser único, no caso, a garota Riley.

Na Sociedade do Anel, Boromir representa a cobiça pelo Anel, algo que parece não afetar os outros membros da comitiva, além, claro, de Frodo que sofre a influência direta do artefato. Esse desejo obscuro é algo que qualquer pessoa comum teria, em maior ou menor grau, mas, na história escrita por J.R.R. Tolkien,  ele se manifesta em uma das partes do todo. Como se os nove membros da sociedade formassem um só corpo, com a identidade coletiva e fragmentada ao mesmo tempo.

Claro que é possível idealizar e desenvolver uma narrativa na qual todos os personagens protagonistas sejam do mesmo gênero, tenham as mesmas habilidades e personalidade, no entanto, ficaria difícil diferenciar um personagem do outro.

Seria como um exército, onde os soldados não possuem individualidade. São todos parte de uma multidão. Como um enxame de abelhas. O público teria apenas os nomes para diferenciá-los e não haveria empatia por alguém em especial. Se algum desses seres homogêneos morre, não há grande sentimento de perda, pois a sensação é que foi apenas um ferimento superficial no corpo maior. Mas, talvez, essa seja exatamente a intenção do autor. Representar as vantagens do coletivismo, no qual a individualidade é depreciada.

Outra possibilidade, é quando a intenção é criar dinâmica nas ações e diálogos. Dois, ou mais, personagens idênticos, podem até ser gêmeos, servem como recurso para a narrativa contribuindo para a agilidade do texto, facilitando algumas interações que poderiam ficar monótonas se fossem apresentadas por uma só pessoa.


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