O Inverno das Fadas

Título: O Inverno das Fadas | Autor: Carolina Munhóz | Editora: Leya – Casa da Palavra | Gênero: literatura nacional – fantasia | Páginas: 304 páginas | Ano de publicação: 2012 | Nota: 3,5/5,0


Existem alguns personagens que povoam o imaginário das pessoas quando a gente fala de fantasia. Elfos, gnomos, fadas… Alguns vivem nas histórias como criaturas bondosas e cheias de pó mágico. Mas não aqui… Não as fadas de Carolina Munhóz.

Em “O Inverno das Fadas” somos apresentados a Sophia, uma Leanan Sídhe. Sídhe é como se chama o povo das fadas nas terras da Escócia. Esse povo tem vários tipos de seres mágicos, e as Leanan são um tipo de súcubos para o povo das fadas, ou seja, elas te dão fama, inspiração e sucesso em troca da sua vitalidade. Todos os artistas inspirados por esse tipo de fada têm vida efêmera e sucesso explosivo.

Nesse contexto, somos apresentados a William Bass, um escritor que precisa de uma musa inspiradora. E Sophia está disposta a fazer esse papel. O único problema é que a fada começa a nutrir sentimentos pelo escritor, e aí as coisas começam a se complicar. Para viver, Sophia precisa da energia vital dele, e se ela continuar a se envolver com ele, ele pode acabar morto.

Apesar de parecer um romance linear, o livro mostra um pouco do mundo das fadas, como outros tipos de fadas se relacionam com a Sophia e o modo como a própria Sophia vê o mundo, os humanos e o amor. Como toda criatura, Sophia tem lados positivos, fofos e bons; e lados ruins, negativos e feios, bem feios. Ela não tinha pena de matar suas vítimas até encontrar o escritor. Talvez esse lado mais sombrio de Sophia assuste um pouco, já que na nossa concepção básica, fadas são criaturas cheias de luz, lembrando da Sininho do Peter Pan e das Fadas Madrinhas da Bela Adormecida. Para Munhóz, as fadas têm um pouco mais de humanos que o imaginado.

Apesar das passagens mais suaves, mais voltadas para o público infanto-juvenil, a história às vezes dá curvas fechadas para o lado mais adulto da leitura, deixando a gente confuso sobre o nível de envolvimento que será mostrado durante o percurso. Apesar disso, a leitura é fácil e envolvente. Ao ler, parei várias vezes para pesquisar sobre os termos que a autora usava no texto, para saber mais sobre as fadas, os Sídhes. É um livro diferente, que foge do clichê de usar seres fantásticos tipicamente malvados para depois torná-los bons.

O que me levou a ler o livro, além da temática das fadas, é o fato da autora ser brasileira. Nem só de José de Alencar e Machado de Assis vive o leitor brasileiro, minha gente! Carolina Munhóz faz parte de uma leva de autores brasileiros que bebem do fantástico e criam histórias maravilhosas para nossas mentes ávidas. Uma última dica: se você não conhece e quer conhecer mais alguns autores brasileiros, tem um livro chamado “Geração Subzero”, organizado pelo Felipe Pena, que contém contos de vários autores brasileiros. Descobri a Carolina Munhóz por lá. Não só ela como vários outros. Dá uma olhadinha.

Você pode encontrar o livro “O Inverno das Fadas” aqui, e “Geração Subzero” aqui.


 

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