Inferno no Ártico

Título: Inferno no Ártico | Autor: Cláudia Lemes | Editora: publicação independente | Gênero: suspense policial | Páginas: 308 | Ano: 2018 | Nota: 4 / 5


Para enfrenar seus medos, a detetive Bárbara Castelo se muda para Barrow, uma pequena cidade do Alasca onde não se vê o sol por 65 dias no ano.

Barrow é gélida, sombria, claustrofóbica… E Bárbara tem nictofobia – medo exacerbado de escuro. Antes num departamento de crimes sexuais, agora Bárbara está na área de homicídios. Como se não bastasse a dificuldade em estabelecer uma parceria policial pacífica com Bruce, a detetive tem que enfrentar seus medos diante de um crime horrendo que assola a cidade: um homicídio que nos surpreende pela violência infantil e forma ritualística.

“Feridas têm personalidade própria; é preciso reconhecê-las, explorá-las e deixá-las expostas ao ar para que a cura venha.”

A nictofobia não é o único problema de Bárbara, em seu íntimo há camadas de complexidades que são reveladas durante a narrativa. Isso acontece também com seu parceiro, Bruce. O serial killer não é apenas um missionário que quer mostrar algo a humanidade e estar sob holofotes. O Executor é um satanista extremo, porém crível. Ele tem um objetivo e segue os passos à risca, não há brecha para afeição por esse personagem. Além deles, temos outros personagens que no decorrer da narrativa, descobrimos que não são o que parecem a princípio: a família da protagonista, Bruce e os outros policiais, as famílias relacionadas às vítimas do serial killer, etc.

A maldade humana não tem limites, ela reside em todos nós. Alguns são capazes de manter a razão, outros não. Algumas vezes a maldade é incompreensível. E essa é a jogada deste thriller. Em certo momento, a investigação acontece somente para os personagens, pois nós, leitores, já sabemos aonde vai chegar. E isso dá mais brilho à obra: quando achamos que sabemos tudo, são os personagens que nos surpreendem com suas várias nuances. As últimas cem páginas do livro (e isso é muito) são de tirar o fôlego.

Inferno no Ártico é narrado em terceira pessoa de forma bastante cinematográfica. Lanço aqui um desafio a você, leitor, que está apreciando esta resenha: leia, imagine a cidade (inevitável) e depois procure por fotos de Barrow! É incrível como Cláudia Lemes conseguiu transmitir uma cidade inteira para nossa mente. E não foi apenas nesse ponto que a autora conseguiu transmitir com credibilidade algo da estória. Eu sentia a corrupção da alma humana, enlouqueci junto a Bárbara em determinado momento, fiquei estupefata com as cenas de horror que apesar de serem curtas, são chocantes o suficiente para mexer a nossa mente por dias.

A escrita de Cláudia Lemes é implacável. Ela narra o papel da mulher profissional diante do machismo do meio policial de forma verossímil, além de usar a violência contra a mulher sem romantizar o homem. Acho que nenhum homem conseguiria fazê-lo como ela.

Os capítulos têm a primeira folha na cor preta, e por mais simples que isso pareça, é um artifício que tem tudo a ver com a estória. Tais capítulos são nomeados com os treze demônios envolvidos na missão do Executor: Nyx, Lypei, Lethe, Mnemeion, Thanatos, Ecthra, Lilith, Skotos, Anoia, Nosos, Basanismos, Apolemi, Lúcifer. E eu pirei nisso, adoro esse tema e adorei a criatividade da autora ao utilizá-lo.

Vale ressaltar que a credibilidade da obra está intrinsecamente ligada à dedicação da autora: ela experimentou Ayahuasca, estudou satanismo acósmico e sexologia forense, trancou-se em lugares escuros por longos períodos para se aproximar da protagonista, etc.

Só não vou dar nota 5 devido a uns dois ou três erros de diagramação, além de alguns erros ortográficos. No entanto, a estória vale nota mil. O livro pode ser adquirido em ebook aqui. Pretendo acompanhar outros livros da Cláudia Lemes, e aproveito para divulgar o atual projeto dela no Catarse: Duologia Eu Vejo Kate.


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