Maedro – O Diário de Kalyn

Título: Maedro – O Diário de Kalyn | Autor: Rômulo Barbosa| Editora: independente | Gênero: ficção científica | Páginas: 514 | Ano de publicação: 2014 | Nota: 4,0/5,0


Imagine que a humanidade do nosso planeta foi infectada. Imagine que estamos caindo um após o outro e poucos resistem à doença. Imagine que a única saída é fugir, não da cidade, não do país, mas sim do mundo. Esse não é o principal cenário que nos apresenta “O Diário de Kalyn”. Nosso cenário na verdade é uma nave, a Maedro, que viaja no espaço atrás de um planeta igual ao que foi deixado para trás. Nesse contexto, poucas pessoas se salvaram e a população existente na nave faz parte de experiências genéticas que buscam perpetuar a raça que fugiu, se adaptou e evoluiu.

É um cenário um tanto quanto estranho para nós que vivemos aqui e nunca, ou quase nunca, pensamos no que pode nos reservar o futuro. Talvez porque achemos que ele está muito distante. Para Kalyn, a vida e o futuro são tão certos quanto o destino final da nave. Nós a acompanhamos quando ela sai da escola básica e entra para a faculdade, ganhando assim um console onde pode registrar, com os detalhes que quiser, sua vida. Por causa do problema populacional, as pessoas na Maedro são clones de si mesmas. Ou seja, a Kalyn que nos conta a história é a 3ª Kalyn. Neste contexto, Kalyn já foi “reintegrada”, como eles chamam, duas vezes; e o diário tem o objetivo de fazer a Kalyn atual lembrar, ou aprender, com a Kalyn anterior ou a Kalyn 002. É um tanto confuso. Mas o importante a saber é que as pessoas são tratadas como se fossem sempre as mesmas. A Kalyn003 é tratada como se fosse a Kalyn002. E eu fiquei curiosa em determinado ponto da história, para saber como era a Kalyn001, mas não temos acesso a um diário com esses dados, tendo em vista que o console só guarda informações da “vida” anterior.

Ainda falando do diário, é a forma como Kalyn tem acesso as informações necessárias a sua vida atual e como nós, leitores, temos conhecimento dos fatos. A narrativa do texto não é que estamos acostumados, a prosa. É feito em primeira pessoa. A Kalyn003 escreve para a próxima Kalyn e nós estamos rompendo a privacidade deste documento ao ler suas linhas. Pode ser um pouco confuso, mas quando ler, tenha e mente que é como se você fosse a próxima Kalyn. Fica mais fácil para entender.

No Maedro, talvez por uma questão prática, as pessoas recebem as mesmas funções de suas “vidas passadas” quando se formam no curso básico. Assim, nossa Kalyn003 deveria ser engenheira como a 002. Descobrimos durante o livro que a 001 era programadora. Mas por algum motivo, ela resolve trocar de lugar com a amiga e se torna médica. Todo, ou quase todo, o drama deriva disso, de Kalyn ter mudado de emprego quando voltou.

Eu passei o livro todo tentando determinar se a nossa Kalyn era boa ou má. Mas no final, cheguei a conclusão que ela era um misto dos dois. Ela fazia o que precisava para proteger as pessoas que amava e fazia coisas boas e ruins no processo. Apesar de tudo, Kalyn era humana. E extremamente focada no trabalho. Chega a ser meio chato às vezes, pois não há muito desenvolvimento de amizade ou romances, e isso é outra coisa que eu entendi durante a leitura. A Maedro é o tipo de lugar que ou você se doa 100% para a comunidade ou você passa a não ter serventia, e dessa forma, entra pro processo de reintegração, ou seja, morrer e nascer de novo.

O livro é complexo e não daria para explicar tudo numa resenha só. Teríamos que sentar num café e conversar longamente sobre o assunto, pois o livro tem nuances muito específicas e lindas. A explicação acerca de biologia e genética do autor foi algo que me deixou emocionada, e eu não sou da área de saúde. É o tipo de livro que faz você querer ser cientista. O Rômulo Barbosa criou uma sociedade e cultura dentro da Maedro muito própria, bonita, e feroz de se assistir desenrolar.

Com o final do livro, fiquei pensando se talvez o autor não pensa em desenrolar mais histórias na Kalice, a segunda nave do livro. Seria interessante ver os tripulantes interagindo com a nave e descobrindo o universo mais uma vez. Quanto a Kalyn, fiquei satisfeita com o final recebido. Podia ter sido mais? Podia, mas acredito que entre mais e melhor, ficamos sempre com o que nos é melhor, não?


Assinatura_Crônicas - Ana

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