Tharedan – O druida do vulcão

Geralmente, quando crio um personagem para jogar RPG, tenho preferência por humanos. Isso acontece por dois motivos, primeiro, penso que interpretar humanos seja mais fácil e segundo, acredito que os humanos são a raça mais diversificada e, portanto, permitem que eu haja de forma mais criativa.

Tharedan foge desse padrão, ele é um elfo da floresta. Os elfos da floresta têm a fama de serem pacíficos e de tentarem resolver toda contenda com conversa antes de partirem para a agressão. Meu intuito foi criar um personagem que saísse um pouco desse padrão e foi dessa forma que Tharedan nasceu, um elfo que possui um temperamento imprevisível e catastrófico, assim como um vulcão.


O druida do vulcão

A noite sem fim

A história de Tharedan começa antes mesmo do seu nascimento. Por séculos eu havia sido o druida designado como o protetor da floresta e mantedor do equilíbrio. Mas o tempo agora pesava sobre meus ombros e meu vigor aos poucos esvaia-se de volta para a Natureza. Pedia que me fosse concedido logo um aprendiz, alguém que pudesse me substituir quando meu corpo sem vida fizesse sua última jornada sob a terra úmida.

Comecei a pensar que meu deus não ouvia minhas preces. Talvez Rillifane Rallathil, tivesse assuntos mais importantes para tratar, questões mais urgentes para resolver. Nem mesmo um sinal na casca do velho Carvalho Sagrado eu encontrava. Foi então que o Oráculo teve a revelação: a profecia do nascimento de um novo druida.

Da noite escura

o brilho do Sol voltará.

Do mundo ele será a cura

e dos olhos dourados sua luz exalará.

Um poderoso druida

Rllifane Rallathil deve escolher.

O deus que da natureza cuida,

o equilibrio deverá manter.

 

Assim foi profetizado

e assim se cumprirá:

tão firme quanto o carvalho enraizado

que na primavera florirá.

A noite mencionada pela profecia não tardou a cair sobre nós quando o vulcão entrou em erupção. Da vila o enxergávamos ao longe com o cume coberto pelas nuvens. Quando a atividade começou, mal éramos capazes de prever o tamanho da grandiosidade do espetáculo que a Natureza nos preparava. Tudo começou com a turbulenta fumaça negra escapando da abertura no seu topo, mas não demorou muito para os tremores. O chão da floresta contorcia-se sobre si mesmo derrubando árvores e abalando nossas construções. Eu, como druida e protetor sabia que aquilo era parte do ciclo natural da floresta. As cinzas que pareciam sufocar a vida, eram necessárias para fazer florescer.

A intensa atividade vulcânica espalhou sua manta negra pelo céu da floresta nos forçando a mergulhar em uma noite sem fim. Não víamos mais o sol, a lua ou as estrelas. Ficamos perdidos no tempo, envoltos em um bolsão de escuridão. Por mais que quiséssemos sair, era mais seguro permanecer na vila, não sabíamos que perigos nos esperavam se nos afastássemos de mais do nosso lar.

Foi em uma dessas noites que Thia deu à luz a ao pequeno elfo que nomeou de Faen. O parto aconteceu durante uma tempestade tão intensa que não sabíamos se o som estrondoso que ouvíamos era devido aos tremores de terra ou aos fulgurosos raios cuja luz quase atravessava a densa escuridão. Eu fui chamado à casa da família quando a criança chorou pela primeira vez.

— Berrian, que bom que você veio. — Saudou-me Aranis, o pai do garoto.

— Fico feliz por me chamarem.

Thia encontrava-se deitada em sua cama amamentando o recém-nascido. Esferas luminosas flutuavam no local dando um ar poético a cena que eu vira. Eu me aproximei dos dois e a elfa sorriu. Passei o indicador pela testa do garoto abençoando a nova vida que havia chegado à floresta e para minha surpresa, ele parou de mamar e abriu seus olhos. Olhos grandes e dourados me encararam fazendo meu peito arder em chamas, senti que ele vasculhava minha alma e senti-me impotente.

Fui trazido de volta à realidade quando ouvi um alvoroço do lado de fora da casa. Aranis correu para abrir a janela e ver o que acontecia. As densas nuvens se dissipavam, a terra havia parado de tremer e o sol voltava a brilhar sobre a floresta.

Da noite escura o brilho do Sol voltará. Do mundo ele será a cura e dos seus olhos dourados a sua luz exalará. — Repeti os primeiros versos da profecia quando voltei a olhar o garoto. — Faen, o druida prometido por Rillifane Rallathil acaba de nascer.


O nome de Faen

Comecei a acompanhar Faen desde aquele dia. Ele nunca foi um elfo comum. Nosso povo tem o costume de dialogar e resolver os problemas na base da diplomacia. Com Faen, entretanto, era diferente, ele fora uma criança de poucas palavras, raros amigos e temperamento agitado. Seus contemporâneos o rejeitavam e mantinham distância e frequentemente eu o encontrava brincando sozinho.

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Arte por Sakimichan

— O que faz aí, Faen? — perguntei-lhe certa vez quando o encontrei sentado sobre um tronco caído nas proximidades da vila.

Ele suspirou fundo e ignorou minha pergunta. Nessa época, ele ainda não havia completado uma década de vida, mas o peso sobre seus ombros já era maior do que o de um adulto. Sentei-me ao lado dele e ofereci-lhe a maçã que tinha na minha bolsa. Ele aceitou a fruta e deu uma boa mordida.

— Não deveria estar com os outros elfos da sua idade? — Voltei a perguntar. — Se me lembro bem, hoje era o dia em que iriam até a cachoeira.

— Eu não quis ir com eles. — respondeu-me.

— Posso saber o motivo?

— Porque só me convidaram por educação. Ninguém me quer por perto.

— Isso não é verdade. — disse-lhe com ternura. — Gosto de quando está comigo.

Faen ficou em silêncio por um tempo enquanto comia a maçã. Seus pés não alcançavam o chão e ele os balançava sobre o tronco.

— Quando eu for adulto, vou morar na floresta. Não quero voltar na vila nunca mais.

— Mas e se precisarem de você? — indaguei.

— Não me importo.

— Você não está treinando comigo para se tornar um druida? — Ele respondeu afirmativo com a cabeça. — Pois bem, os druidas são protetores da natureza e mantenedores do equilíbrio. Toda criatura viva faz parte da natureza e, portanto, será seu dever também proteger seu povo.

Com o tempo, Faen foi crescendo em tamanho e sabedoria. Ensinei-lhe a lutar com espadas e magia. Mostrei-lhe tudo o que sabia sobre a Natureza, suas plantas, seus animais e o delicado equilíbrio que mantinha todo esse sistema em funcionamento. Treinei-o na antiga linguagem druídica, para que pudesse se comunicar em segredo os outros de nossa classe.

Ele já estava prestes de completar dezesseis anos e já dominava bem quase tudo aquilo que um druida podia fazer. Ensinei-lhe o que pude, mas havia algo que estava além da minha capacidade como mentor: ensiná-lo a manter o equilíbrio interno. O temperamento de Faen não melhorou com o seu amadurecimento, ele irritava-se facilmente quando algo saia de seu controle. A situação mais crítica aconteceu durante o último dia do outono naquele tempo.

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Arte por Anna Helme

Já havia passado muito do horário de Faen chegar em minha casa para o nosso treinamento matinal e comecei a me preocupar. Embora ele conhecesse bem a floresta, algo poderia ter acontecido no caminho, era melhor checar. Fiz o trajeto que ele normalmente percorria e não foi difícil encontra-lo.

O rapaz estava ajoelhado próximo a um cervo morto com uma flecha certeira. Meu coração acelerou quando percebi que a cena era mais complexa do que havia notado a princípio. Faen chorava com as mãos ensanguentadas e alguns metros à frente, o cadáver de um humano apunhalado em várias partes do corpo jazia sobre o chão frio e turvo da floresta. Nunca havia visto humanos naquela parte da floresta antes e certamente aquilo não era um bom sinal.

Levei o meu aprendiz para minha casa e tratei de limpar-lhe o sangue das mãos, oferecendo uma bebida quente em seguida. Sentei-me de frente para ele e o olhei fixamente. Seus olhos miravam o chão, ele não erguia a cabeça e o único movimento significativo que fazia era para levar a caneca até os lábios. Ficamos em silêncio por muito tempo, sabia que falaria quando estivesse pronto.

— Ele matou o cervo. — Faen falou ainda encarando o chão. — Ele matou o cervo e eu não consegui evitar.

Sua voz era trêmula e parecia ter dificuldade em organizar as palavras. Permaneci em silêncio assumindo uma posição de escuta e não de julgamento.

— Eu senti raiva. — disse ele. — Tanta raiva quanto nunca havia sentido. Não dialoguei. Eu sei que devia, mas ele não merecia. Saquei o punhal e avancei, só precisei de um golpe para lhe cortar a garganta e dar fim a sua existência. Eu estava tão fora de mim, que mesmo sabendo que ele havia morrido, continuei a apunhala-lo repetidas vezes.

Faen voltou a chorar e, de repente, voltei a vê-lo como o garotinho que não entendia nada sobre o equilíbrio natural. Talvez eu tenha sido um mau mentor e meu pupilo nada tivesse aprendido comigo.

— Me perdoe, Berrian. — Continuou. — Não mereço ser o druida protetor dessa floresta. Não consegui salvar a vida daquele cervo e ainda fui capaz de matar um humano. Eu não sei quem eu sou.

— O seu nome é Faen. — respondi-lhe. — Você é impulsivo, temperamental e irritadiço. Por outro lado, também é confiante, astuto, protetor e amoroso. Você agiu errado ao matar o humano, mesmo que suas intenções tenham sido puras. A caça é uma atividade nobre se o objetivo é a alimentação, faz parte do equilíbrio.

Levantei-me e fui até onde Faen estava sentado tocando-lhe no ombro com minha mão direita.

— Você é o druida do vulcão. — continuei. — É verdade que não é nada parecido com os outros elfos, você é único. Um elfo único com uma peleja única. Você é como um vulcão, Faen. Os vulcões podem parecer aberrações da natureza se forem olhados de longe, com toda a destruição que causam, mas se olhar um pouco mais de perto, poderá ver que essa floresta inteira e todos os animais que nela habitam só existem porque o vulcão os sustenta. É o vulcão que mantem o equilíbrio que nos permite viver aqui. Sua existência pode ser caótica, mas é do caos que nasce a ordem.

Faen levantou a cabeça e me olhou nos olhos. Vi aqueles mesmos grandes olhos dourados do bebê que eu conhecera na noite sem fim. Dessa vez, a escuridão que eles precisavam iluminar estavam na alma do jovem druida.


Transe

Depois daquele incidente com o humano, achei que Faen estava finalmente pronto para se encontrar com a presença física em nosso mundo de Rillifane Rallathil, o Carvalho Sagrado. Caminhamos por horas nas entranhas mais profundas da floresta, onde a vegetação ficava cada vez mais densa, uma região onde a maioria dos elfos evitava se aventurar. Quando alcançamos a clareira, no entanto, a vista de um frondoso carvalho que se destacava de todas as árvores ao redor, tanto no tamanho quanto na largura era de encher os olhos. Uma energia mística emanava daquele lugar e Faen parecia senti-la tão bem quanto eu.

— Esse é o Carvalho Sagrado. — disse-lhe enquanto tocava em uma das raízes da grande árvore que se erguia sobre a terra. — Dizemos que é a materialização do deus da Natureza. É dessa árvore que se origina a maioria das outras árvores ao redor.

— É incrível. — Faen comentou. — Eu não sabia que algo assim existia.

— Eu te trouxe aqui por um motivo específico. — continuei. — Para entrar em transe. Quando meditamos sobre este solo, estamos mais perto de Rillifane Rallathil.

Faen concordou e nós nos sentamos sobre as folhas que cobriam a terra. Respiramos fundo e fechamos os olhos. Concentrei meus sentidos no que se passava ao redor, ouvi o vento soprar as folhas nas árvores e os pássaros cantavam em sinal de cortejo. Os raios do Sol que atravessavam a copa do Carvalho Sagrado nos iluminavam e traziam consigo o calor materno da primavera.

Sentia-me em perfeita harmonia com a floresta a minha volta quando Faen me trouxe à realidade. O rapaz tinha os olhos assustados e o suor havia tomado conta de seu rosto.

— Berrian! — Ele chamava. — Berrian!

— Acalme-se, Faen. — respondi. — O que está acontecendo?

— Eu vi Rillifane Rallathil, ele falou comigo.

— Como assim?

— Enquanto eu meditava, o Protetor veio ao meu encontro. Ele saiu da árvore, era uma presença energética forte, uma luz que quase me cegava.

E então Faen me contou sobre a visão que tivera.

“Rillifane Rallathil me levou até o sul da floresta, mas era inverno e a neve havia coberto boa parte da vegetação. Parecia tudo muito calmo, mas repentinamente, algo chamou minha atenção. No horizonte, uma mancha negra e disforme avançava rapidamente na nossa direção, era muito rápida e exalava ira e desespero, consumia tudo o que tocava.

Aquilo era uma magia, uma magia poderosa como eu nunca vira antes. Magia humana que caminha com a morte e ela invadia a floresta. Vi você lutando contra aquilo, mas nada parecia surtir efeito e tão rapidamente quanto surgira, a grande mancha escura desapareceu. Entretanto, a floresta não se recuperara daquela nefasta presença e a vegetação morria aos poucos e com ela os animais. Não havia mais equilíbrio.

Rillifane Rallathil fez o tempo avançar e eu pude ver a floresta desaparecer. Já era primavera de novo e não havia sinal de melhoras, o nosso povo definhava pela praga maldita, não podíamos mais beber a água dos riachos e nada do que plantávamos frutificava. Aquele era o nosso fim. ”

— Essa é a minha missão. — continuou Faen. — Foi por isso que o deus do Carvalho me escolheu. Eu devo impedir que esse futuro aconteça.

— Faen… — comecei.

— Não, é verdade. — Ele parecia desesperado. — Eu sei que não foi um sonho.

— Acalme-se, rapaz. — Me levantei e coloquei a mão em seu ombro. — Eu acredito em você. Sei que nasceu destinado a fazer algo grande.

— Berrian… e se eu não for capaz? — Aquela foi uma das poucas vezes que vi os grandes olhos dourados de Faen transparecerem medo.

— Só não somos capazes de fazer algo quando deixamos de tentar. — Ofereci-lhe um sorriso amigável. — Vamos trabalhar mais duro daqui para frente e você se tornará um druida melhor do que eu jamais sonhei ser.

Voltamos em silêncio para a vila. Cada um absorto em seus próprios pensamentos. Embora eu realmente acreditasse que Faen fosse capaz de lidar com o que o futuro lhe esperava, doía-me o coração que uma alma tão jovem tivesse que carregar um fardo tão pesado.

Daquele dia em diante, passamos a meditar com frequência sobre as raízes do Carvalho Sagrado, mas nosso deus não falou com Faen novamente e comigo, bem, eu já estava acostumado a ser ignorado por ele. Também intensificamos o nosso treinamento em magia e, embora continuasse explosivo, ele começou a controlar melhor seu temperamento. O bebê que eu vira abrir os olhos pela primeira vez já estava prestes a atingir a maturidade.

Um elfo adulto

Por alguns anos, sempre que o outono findava e o inverno caia sobre a floresta, Faen começava a agir diferente. Assumia uma postura mais vigilante, atento à floresta e a necessidade do seu povo. Frequentemente tomava o caminho para o sul em uma espécie de patrulha, ele esperava que o mal chegasse a qualquer momento.

 O rapaz transformara-se em adulto e não havia mais nada que eu pudesse ensiná-lo. Estava na hora de me retirar de cena e deixar o novo protetor da floresta assumir meu lugar. Entretanto, meu aprendiz tinha uma ideia diferente.

— Berrian, eu tomei uma decisão. — A voz de Faen transformava-se e a cada ano que se passava soava mais como trovão. — Vou partir em uma jornada.

— Uma jornada?

— Preciso descobrir o que é o mal que nos atacará.  — Ele estava convicto do que deveria fazer.

Parei para pensar um pouco na ideia dele. De fato, poderia ser proveitoso deixar a floresta, havia muita coisa no mundo que Faen ainda precisava conhecer.

— Eu concordo.

Faen parecia confuso ante meu consentimento, então resolvi explicar-lhe melhor.

— Faen, você ainda é o botão de uma flor prestes a desabrochar e eu não passo de um galho seco, velho e retorcido. Tudo o que eu pude fazer por você eu já fiz. Tudo o que eu pude te ensinar já ensinei. Nesse momento, não sou mais do que uma raiz seca e inútil que te mantem preso a essa terra. Está na hora de você partir, conhecer o mundo, encontrar outros povos. É hora de florir.

— Mas, mestre…

— Deixe-me terminar, rapaz. Talvez eu ainda consiga lhe dar uma última lição. Seu último trabalho antes de enfrentar seu destino é enxergar que o equilíbrio se estende para muito além dos limites dessa floresta. Há muitos outros druidas mundo a fora protegendo seus santuários, mas para ser o druida escolhido por Rillifane Rallathil, você precisa transcender além das barreiras que você mesmo se impõe. É isso que um vulcão faz quando entra em erupção. Afinal, você é ou não é o druida do vulcão?

— Sim senhor. — Faen respondeu desconcertado.

O dia findou-se e quando o Sol desapareceu do firmamento, a Lua cheia ocupou seu lugar lançando sua luz prateada sobre a vila. Thia e Aranis, os pais de Faen já estavam no centro do círculo na cúpula da transição. A maioria dos elfos assistiam à cerimônia de baixo. Carric Liadon, nosso líder, conduzia a transição do rapaz para adulto.

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Arte por Rob-Joseph

— Thia e Aranis, vêm até sua presença hoje apresentar-lhe o filho crescido. — dizia Carric com o olhar voltado para a Lua. — Até então conhecido como Faen Xiloscient, mas a partir de hoje, sua luz de prata não banhará mais uma criança, e sim um elfo adulto.

— Receba nosso filho e reconheça-o como parte de nosso povo. — disseram os pais em uníssono.

— Como é que deveremos chama-lo? — Carric perguntou a Faen.

— Meu nome é Tharedan! — disse ele com sua voz de trovão.

— Tharedan! — A vila inteira repetiu em coro. — Tharedan!

No dia seguinte meu aprendiz estava pronto para partir. Ele foi até minha casa nos arredores da vila para se despedir. Ato nobre, devo acrescentar.

— Berrian, eu só queria agradecer. — disse ele. — Por tudo que fez por mim.

— Eu não fiz nada, mas você fez mais por esse velho aqui do que poderia imaginar. Eu tenho um último presente para você.

Entreguei-lhe então um cajado que havia esculpido na tarde do dia anterior. Feito de carvalho, magicamente encantado e vivo, tinha brotos por toda sua extensão. Quando Tharedan o pegou, um dos brotos se abriu e a pequena trepadeira circundou sua mão. Nos despedimos com um abraço e o druida do vulcão começou sua jornada.

Já fazem trinta anos que Tharedan partiu, um longo período da vida humana, mas um breve suspiro para nós, elfos. Depois do dia que nos despedimos, nunca mais tive notícias dele, não sei por onde passou, não sei se continua meditando como lhe ensinei, não sei que poderes adquiriu, mas tenho fé que ele vive.

Alguns dias atrás, a visão que Rillifane Rallathil o revelou iniciou-se. Primeiro, a neve começou a cair e depois, a grande mancha escura penetrou na floresta. Eu tentei impedi-la de avançar, mas não consegui. Aquela força maligna era muito mais forte do que eu e sua presença deixou a floresta doente. Agora, estou mais fraco do que jamais estive e passo meu tempo contando quantas vezes o Sol nasceu e se pôs desde que ele se foi. Tharedan, às vezes me pergunto se verei seus olhos dourados mais uma vez. Volte logo, amigo.


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1 comentário Adicione o seu

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