O cavaleiro, o caçador e a bruxa | Final

Este é o final de mais uma antologia escrita pelo Ricardo Old Folk, que já escreveu a antologia “Ídolo de barro” que você pode conferir aqui.

Neste último episódio Leon e Ulrich confrontam a entidade encontrada na floresta. Que tipo de magia aquela bruxa emana? O que ela fez com Leon? Será esse mesmo o fim? Descubra neste (último?) episódio de O cavaleiro, o caçador e a bruxa – por Ricardo Old Folk.


 

Leon rompeu o silencio:

            – que é você criatura? Pode me entender? – aguardou uma resposta, que não veio, e logo continuou – você fala?

            – sim… – uma voz velha e aguda saiu de sua boca ressecada e murcha

            – muito bem, o que faz aqui?

            – eu vivo aqui…

            – aqui onde, no vale?

            – sim… – aproximou-se um passo e continuou – o que faz aqui na minha casa?

            – eu estou de passagem.

            – terá que pagar-me um tributo!

            – que espécie de tributo criatura?

            – uma oferenda, um presente…

            – diga o que quer bruxa.

            – um presente… – e avançou mais alguns passos.

            – que espécie de presente criatura? Responda.

            – quero uma criança! – a criatura lambeu seus lábios com uma língua negra e repulsiva.

            – não temos criança alguma bruxa, escolha outro presente: jóias, perfumes, comida…

            – não – aproximou-se um pouco mais, agora esquadrinhando Leon dos pés a cabeça.

            – como se chama criatura? De onde vem?

            – você pode me adorar… – sua expressão não dizia nada de suas intenções, apenas sua voz poderia denunciar algum tipo de emoção da criatura – eu te recompensarei! Ajoelhe-se!

            Leon, surpreso com a frase da criatura, envolveu o cabo de sua arma com sua mão e pretendia sacá-la, mas uma curiosidade tentadora explodiu em seu coração, fazendo-o ajoelhar-se diante da criatura repulsiva, que agora estava a apenas alguns passos dele. A criatura continuou:

            – estenda sua mão!

            Leon ergueu seu braço esquerdo em direção a criatura. O ser agarrou-lhe o braço com duas mãos esqueléticas de unhas monstruosas e negras, e cravou-lhe os dentes no pulso. Leon permaneceu inerte ao que lhe acontecia.

            Como quem desperta de um cochilo, Leon voltou a si. Diante dele a criatura berrava de dor e cambaleava. Foram os urros da criatura que o despertaram, salvando-o da morte.

            Um instante antes de Leon despertar, Ulrich, com muito esforço, sacou sua besta quando percebeu que seu senhor havia se ajoelhado diante da criatura. O caçador esforçou-se para controlar seu pavor e esperou ate que finalmente pode disparar contra o demônio. Nem mesmo à distancia em que se encontrava da criatura, lhe dava qualquer segurança para agir, mas teve que agir. Com sorte e habilidade consegui cravar uma seta no peito da criatura, que berrou histérica diante da dor.

            Leon reparou que seu pulso havia sido perfurado pela criatura e que ela bebeu seu sangue. Logo notou o perigo que corria e também se deu conta de que a criatura havia sido ferida e estava atordoada. Este era seu momento de agir.

            Leon sacou sua arma e golpeou violentamente a criatura ainda cambaleante. Ela rolou morro abaixo.

            Ulrich preparava uma nova seta.

            Leon correu em direção a sua montaria que estava no mesmo lugar onde a havia deixado, montando-a rapidamente. Logo ordenou:

            – Corra Ulrich!

            Quando Ulrich conseguiu guardar sua arma e dominar seu animal, seu senhor já o havia ultrapassado em disparada na direção da floresta.

            Mais adiante, Leon diminuiu a velocidade de sua montaria aguardando Ulrich que havia ficado muito atrás. Ulrich quase conseguiu emparelhar sua montaria com Leon, e os dois entraram na floresta.


Desfecho

            Na noite seguinte, Leon partiu em busca de noticias de seu servo, Ulrich. O que haveria se sucedido após sua fuga ainda era um mistério a lhe inquietar a alma. Então decidiu ir a residência obter respostas.

Ao chegar à humilde casa, bateu em sua porta. O próprio Ulrich havia aberto a porta. Surpreso, Leon falou:

– Ulrich! Vejo que esta bem! Agora estou aliviado. – bateu em seu ombro satisfeito em vê-lo.

Ulrich aparentava estar mais velho, cansado, parecia um homem que acabara de recuperar-se de uma febre ou sobreviveu a um bom tempo prisão. Não parecia mais o mesmo. Leon já havia notado isso.

Logo Leon indagou- lhe:

– Caro amigo Ulrich: como conseguiu escapar? Esta bem? O que aconteceu na floresta depois que infelizmente tive que fugir?

– Saltei da arvore e corri. Corri toda a noite – falou Ulrich com um ar distante e uma voz sem firmeza – não me lembro de nada do que aconteceu na noite de ontem.

– Mas pelo menos se sente bem?

– Sim, senhor Leon.

– Isso sim é importante. Agora você me tranqüilizou – uma expressão de alivio apareceu em sua face – muito bem, vamos agora para a taverna: beber e relaxar um pouco. Depois quero que descanse por alguns dias e depois conversaremos sobre novos negócios! – um sorriso apareceu em seu rosto.

– Senhor Leon, não estou muito disposto, quero ficar em casa.

– Tudo bem, está liberado de suas obrigações por esses dias. Dentro de três dias vou procurá-lo, passar bem e melhoras!

Ulrich acenou com a cabeça e logo entrou em sua casa e fechou a porta.

Leon voltou a seus afazeres rotineiros na taverna: pagar bebidas e contar estórias sobre suas viagens.


O fim?

Leon retornou a casa de Ulrich. Ao chegar a sua porta ouviu choros e lamentos. Bateu a porta para receber a noticia de que Ulrich havia cometido suicídio havia dois dias.

– O que aconteceu senhora?

– Ele morreu senhor!

– Más… como foi isso? – questionou Leon estarrecido com a noticia.

– Ele estava muito calado. Parecia triste. Não me falou nada. Um dia saiu e levou uma corda. Depois o encontraram na floresta… – um choro desesperado.

Leon retirou-se para meditar sobre o que tinha acontecido e pensar no que iria fazer a respeito.

Talvez para aliviar sua consciência, talvez um ato de bondade ou ate mesmo de justiça, na noite seguinte, Leon mandou entregar a esposa de Ulrich uma generosa quantidade de ouro para garantir o futuro dos filhos de Ulrich. Talvez isso bastasse para ele.


Assinatura_Crônicas - Ricargo Old Folk-09

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