Richard Van De Helde

Ergui minha xícara de chá verde e olhei na direção dele. Imediatamente ele se levanta, parecia, de fato, um cavaleiro medieval com sua indumentária: ternos bem cortados, sapatos givenchy, sobretudo Burberry marrom escuro e pesado. Guardou o celular no bolso enquanto caminhava. Eu sentia cada vez mais desejo por ele. O cavaleiro azul sentou à minha mesa sem pedir licença. Ele ficou me olhando, me senti um animal novamente. Alguma coisa me movia para aquilo, não conseguia controlar meu corpo. Por debaixo da mesa, coloquei meus pés entre suas pernas. Ele parecia imóvel, mas eu senti que algo crescia nele. Sem tirar os olhos de mim ele levantou, e me deu o braço. Eu segurei e andamos como dois indivíduos flamejantes por dentro, porém civilizados por fora.” – Entrada do dia 11 de março de 2016 do diário de Sabine.

sabine e richard de versace 2015


Filho de uma imigrante brasileira pobre com um homem de negócios neerlandês que tinha investimentos na Alemanha, Richard já multiplicou bastante o dinheiro dos pais desde que o herdou. Sua mãe e seu pai se conheceram por acaso, após a jovem paraibana de infância sofrida ter sido mandada embora da casa em que trabalhava como babá com uma mão na frente e outra atrás e aquele homem de algum dinheiro e nenhuma vergonha tê-la visto chorando em uma praça de Berlim. Richard vê o mesmo acaso no encontro dele com Sabine, a quem só teve a oportunidade de conhecer porque ele é um antigo contato de Jacques Dumont, o agente de Sabine no Moulin Rouge. Foi Dumont quem recomendou que Richard trabalhasse com a garota, e pediu que o holando-brasileiro a contratasse para trabalhar em seu estabelecimento como um favor. Hoje, é Richard quem crê encontrar-se em dívida com Dumont, pois não só o Kleine Nachtrevue nunca viu tantos clientes, como tampouco ele viu mulher mais bela.

Logo que se conheceram, Sabine tomou Richard por um homem qualquer que tentou seduzir usando um pé por baixo da mesa após ele responder a uma foto em seu instagram com outra foto dela no mesmo café (onde até hoje sempre se encontram), de um outro ângulo. Ao se encontrar na casa daquele homem, Sabine foi tomada por um impulso de chorar em seus braços, e só depois descobriu se tratar de seu novo empregador, que estava naquele café apenas para fazer-lhe uma surpresa, tentar impressioná-la ao menos um centésimo do que ela o havia impressionado com os vídeos que Dumont lhe mandara.

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Recentemente, a garota o contou sobre Guido e mais alguns detalhes da sua vida, na esperança de encontrar nele um amigo leal – algo que ele já se considera desde antes mesmo de arranjá-la um apartamento, embora suas pretensões pareçam ser as de tornar-se mais que um amigo.


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