O Canto da Coruja

Título: O Canto da Coruja | Autora: Michaelly Amorim | Editora: Hugin e Munin Editora | Gênero: fantasia | Páginas: 250 | Ano de publicação: 2018 | Nota: 4,0/5,0


Descobri “O Canto da Coruja” por acaso nas minhas andanças pela internet e o que me chamou atenção de primeira foi a capa. Evocando símbolos celtas com a imagem de capa, busquei um pouco mais de informação sobre o livro e descobri ser uma aventura fantástica escrita por uma autora cearense. Cativando minha curiosidade comprei o livro e quando ele chegou até minhas mãos eu me deleitei com um trabalho muito bem feito de impressão e imagem. O livro veio com uma série de marcadores de páginas simplesmente lindos de corujas de todas as cores. Esse trabalho com as imagens permeia todo o livro dando um aspecto de livro de conto de fadas de criança.

Michaelly era uma autora desconhecida para mim, então não tinha referência sobre o que esperar do texto. A leitura mostrou-se agradável e fluida quase íntima. O começo meio lento acelera um pouco mais depois do primeiro terço da história mantendo uma cadência suave que torna prazeroso acompanhar nossos personagens. Logo de início nos é apresentado uma maldição.

“Uma canção de morte sobre sua cabeça entoará
O grito da coruja seu destino selará
A cada sete anos, doze gritos se seguirão
Uma chamada a cada lua servirá de marcação
Apenas com o fim do mal esse tormento cessará
Pois a morte com a morte se deve pagar
Ou depois de sete anos o sofrimento voltará.”

E a primeira a aparecer morta é a bondosa rainha do reino. Com isso seguiu-se uma comoção de medo e caça as corujas pois acreditava-se que eram elas quem traziam a morte. Assim, a população de corujas no local decai de forma vertiginosa.

Após nos mostrar o panorama geral da trama, surge Suindara. Ao longo do conto descobrimos que ela é a última de sua linhagem que pode se transformar em um tipo de coruja muito especial: a coruja branca. Ela acredita que em sua primeira transformação, seu pio matou seu tio, dessa forma, ela se dedica a cuidar da tia até que esta falece e ela resolve morar sozinha no meio da floresta.

Suindara se vê em perigo quando sua vida e seu segredo são descobertos por um caçador. O que a moça não contava era que o interesse entre ela e o caçador começasse a tomar outros rumos. Ela que achava ser sozinha no mundo descobre que tem família e que existem outros como ela que podem se transformar.

O mistério central gira em torno de uma rainha maligna – que também é uma bruxa – e seu lacaio de estimação um mago encurvado e velho. Um jardim de rosas vermelhas como sangue plantadas ao redor do castelo dá um ar de conto de fadas ainda maior ao conto.

Michaelly consegue com maestria nos contar uma história – até bem macabra – de forma sutil e leve. O que me incomodou um pouco foi que Suindara perde um pouco a atividade em determinado ponto do livro ficando à espera do resultado da missão dos outros do grupo. A cereja do bolo é a avó: uma mulher forte, determinada e engraçada com seus trejeitos camuflados de velha.

Posso dizer que este é um livro que qualquer um de qualquer idade pode ler. Se gostar de contos de fadas, vai se deliciar com as referências e o andamento da história. Altamente recomendado.


Assinatura_Crônicas - Ana

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1 comentário Adicione o seu

  1. VitorBarra disse:

    Aqui na minha região há uma crença de que, se a coruja pousar sobre sua casa e cantar, então a morte chegará em breve. Minha avó me conta histórias assim e, segundo ela, na noite antes da sua mãe morrer, uma coruja cantou na sacada da casa.

    Curtir

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