O cavaleiro, o caçador e a bruxa | Parte 3

Este é o terceiro episódio de mais uma antologia escrita pelo Ricardo Old Folk, que já escreveu a antologia “Ídolo de barro” que você pode conferir aqui.

Neste terceiro episódio Leon e Ulrich entram no que parece ser as ruínas de alguma construção, mas estranhamente as pedras parecem alinhadas. O que está por trás daquelas pedras misteriosas? Que segredos Leon esconde de Ulrich e principalmente, quem ou o que é aquela entidade? Acompanha este mistério na continuação de O cavaleiro, o caçador e a bruxa – por Ricardo Old Folk.


Noite seguinte

            Depois de uma longa jornada que ultrapassou a vila dos bárbaros, Ulrich que guiava ate as mencionadas ruínas chegou a um descampado. Leon estava em silencio, ansioso por ver estes suposto mistério.

            A área descampada era rodeada por alguns morros e outras elevações cobertas por uma grama verde brilhante provocada pela umidade noturna e a lua cheia refletida. O céu estava limpo e muito estrelado. Soprava uma leve brisa fria. A floresta continuava bem mais adiante, mas não era para aquela direção que Ulrich seguia.

            Ulrich seguia em direção a um morro a direita deles, neste lugar havia uma grande rocha e um tronco de arvore enegrecido. Próximos a rocha pararam. Ulrich desmontou de seu cavalo, olho ao redor e apontou em uma direção e falou:

            – ali estão as ruínas. No centro do vale…

            – estou vendo. Acompanhe-me!

            Leon desceu o morro rapidamente em direção as pedras as quais Ulrich havia apontado. Ulrich o acompanhou a certa distancia, pois Leon era um exímio cavaleiro.

            Ao se aproximar, Leon diminuiu o ritmo de sua montaria. Diante de si estavam um conjunto de pedras trabalhadas e dispostas de forma harmoniosa e antinatural. Muitas das pedras estavam tombadas, cobertas por musgo e mesmo algumas atiradas fora de seu alinhamento. Eram pedras do tamanho de um homem de cócoras, e provavelmente teria o peso equivalente a este. Seu alinhamento sugeria círculos dentro de círculos, no interior do primeiro circulo externo havia algumas pedras, umas menores, outras maiores, dispostas de forma aleatória, passando-se assim para a próxima camada de pedras em forma de circulo e novamente um grupo de pedras menores e outras maiores, ate que por fim, no ultimo circulo, em seu centro, havia uma espécie de mesa de pedra em forma de T, estava muito danificada e uma de suas extremidades estava partida.

             Logo se aproximou também Ulrich. Que começou a falar:

            – meu pai me trazia aqui quando saiamos para caçar, passei muitas tardes nesse lugar.

            – interessante – falou Leon sem dar importância ao que se falava e desmontando de seu cavalo.

            Aproximou-se do circulo de pedras, tirou a luva direita e tocou uma das pedras. Ficou parado por um momento com mão sobre a pedra. Ulrich ficou em silencio observando, acompanhando cada movimento que seu senhor fazia. Leon tocava e observava as pedras, como se esperasse que elas lhe respondessem algo, enquanto Ulrich observava atentamente, intrigado com a cena. Depois de algum tempo, Leon passou a tocar outras pedras do circulo.

            Parou por um momento, após tocar uma seqüência de pedras do circulo externo, e passou para uma das pedras maiores entre o circulo em que se encontrava e o próximo, lá permaneceu um longo tempo com a mão sobre uma pedra maior que as outras, olhando para o chão, seria como se estivesse meditando sobre algo ou ouvindo algum som distante.

            Ulrich desmontou de seu cavalo e passou a circular o local, vigiando seus arredores. Seu mestre passou pelo menos uma hora naquele estado inexplicável, enquanto Ulrich vigia os arredores.

            De repente, Leon saiu do estado de meditação em que se encontrava, calçou sua luva e caminhou ate seu cavalo e o montou, Ulrich só percebeu seus movimentos quando seu senhor já estava sobre sua montaria, virou-se assustado. Leon falou:

            – vamos Ulrich!

            – sim senhor. – respondeu Ulrich com expressão de surpresa.

            Ulrich montou seu cavalo, mas quando pretendia percorrer o caminho de volta. Leon colocou a mão dentro de sua capa, apanhou algo e arremessou em direção a Ulrich, que mesmo surpreso e montado conseguiu apanhar uma bolsa de moedas. Logo Leon falou:

            – é uma recompensa pelos bons serviços! Obrigado! – sorriu satisfeito e continuou – Amanhã você me trará aqui novamente.

            Surpreso e sem palavras, Ulrich guardou a preciosa bolsa de moedas. Um sorriso apareceu em seu rosto enrugando, mas logo sua alegria foi contida e engolida por uma expressão seria e concentrada.


Retorno ao circulo de pedras

Eles percorreram a mesma trilha na noite seguinte, quando estavam saindo da floresta entrando no vale, algo aconteceu.

            Ulrich empalideceu de repente. Percebeu algo, mas não tentou ou conseguiu explicar-se, apenas falou bruscamente:

            – temos que sair daqui! Siga-me senhor! Rápido! – puxou violentamente as rédeas de sua montaria em direção contraria a que seguiam.

            Leon observou ao redor, tentando identificar o que havia provocado tamanho medo em seu servo. Logo identificou algo se movendo do lado oposto a eles. Algo saia da floresta e entrava no descampado a pé. Alguém vestindo trapos. Leon falou:

            – Espere homem! O que é aquilo?

            – mas senhor… Precisamos ir! – respondeu Ulrich nervosamente.

            – preciso saber o que é aquilo – falou Leon calmamente com o olhar fixo no ser do outro lado do vale – vou ate lá, acompanhe-me a distancia e pronto para agir se for necessário – moveu sua montaria na direção da figura intrigante.

            – tudo bem, senhor… – falou Ulrich contrariado, enquanto desatou a fivela que travava sua besta na bolsa que guardava junto à sela, estava preparado para agir.

            Leon cavalgou confiante pelo vale em direção ao vulto envolto em trapos, o ser caminhava em direção ao centro do vale, dirigia-se rapidamente em direção ao circulo de pedras. Leon ao perceber isso, avançou ao seu encontro. Logo já estava subindo o morro para deparar-se com a criatura. Lá sua curiosidade seria devidamente saciada. Próximo as pedras desmontou rapidamente, fez um sinal com uma mão para cavalo, como se este pudesse entender-lhe a vontade, e largou suas rédeas, ficando sua montaria onde estava como se aguardasse a volta de seu dono. Leon caminhou o resto do percurso ate deparar-se com o ser. Ulrich começou a subir o morro lentamente, mas pronto para agir.

Um horror galgava o morro a longos passos. Uma figura feminina com face e corpo cadavérico coberto por peles de animais, muito desgastadas, possuía uma cabeleira cinzenta, eriçada e emaranhada. O monstro, quando percebeu o cavaleiro a sua frente, parou próximo ao circulo de pedras e passou a olhá-lo com seus pequenos olhos semelhantes a opalas negras.

            Leon, destemidamente, entrou no circulo de pedras com uma mão sobre o cabo de sua arma e de olhos fixos na criatura, que agora estava parada no lado oposto do circulo. Ele sinalizou com a mão livre para a criatura, que continuava o observando. Leon avançou mais alguns passos, não em direção a criatura, mas paralelamente para ter uma melhor visão dela. A criatura apenas movia seus olhos negros e brilhantes, acompanhando os movimentos cuidadosos do cavaleiro.


Assinatura_Crônicas - Ricargo Old Folk-09

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