Personagens bíblicos: Inspiração para épicos

Antes de qualquer coisa, quero deixar claro que esse texto não fala de religião. Pretendo, apenas, apresentar uma rica fonte de inspiração aos contadores de histórias.


Uma dificuldade de reinventar personagens da Bíblia é, justamente, a aceitação do público. Os filmes Noé e Êxodos, por exemplo, foram criticados por recontarem passagens do Antigo Testamento com uma nova interpretação e elementos nas histórias. Enquanto isso, os deuses e heróis gregos, nórdicos, egípcios e tantos outros seres mitológicos são amplamente usados na ficção, sem contestação, pois já não existem como entidades religiosas.

Umas das maneiras de recontar as histórias, do Gênesis ao Apocalipse, é apresentar os mesmos temas através de novos personagens, com referências indiretas. Veja o caso da animação A Origem dos Guardiões, Jesus não é citado diretamente, mas fica subentendido na discussões entre Papai Noel e o Coelho da Páscoa para saber qual é a data mais importante — o Nascimento ou a Ressurreição de Cristo — ou na cena em que Breu, o Bicho Papão, propõe uma aliança ao Jack Frost, na qual os dois seriam os seres mais poderosos do mundo. O cenário congelado é uma releitura do deserto onde o Messias resiste às tentações do Diabo.

Essas alegorias são comuns na literatura. C.S. Lewis, em As Crônicas de Nárnia, trabalha os conceitos do Bem e do Mal cristãos através do Leão e da Feiticeira, isso dentro de uma história rica em seres mitológicos como centauros, grifos, faunos e muitos outros.

A mitologia criada por J.R.R. Tolkien tem grande influência da cultura judaica-cristã. Em Silmarillion, Melkor, assim como Lúcifer, inveja o trabalho do Criador e deseja ter seu próprio mundo e, por causa das ações desse “anjo caído”, muitos seres são corrompidos com a maldade que invade o mundo. Outro elemento, inspirado na tradição das religiões, são as lembas, os pães élficos, que relembram o pão sagrado da eucaristia.

Outros tantos autores utilizam referências, diretas ou indiretas, para construir suas narrativas. A verdade é que não faltam personagens fantásticos como fonte de inspiração.

Para citar alguns exemplos, temos:

Sansão

Um guerreiro de força sobre-humana, com uma limitação para manter seu poder. O Hércules bíblico derrota, sozinho, animais selvagens, exércitos e, depois de ser traído e escravizado, recupera sua força para o último ato contra o inimigo, sacrificando-se para derrubar um templo e matar os líderes dos filisteus.

Além de ação, na história de Sansão há o romance com Dalila, mulher do povo adversário que causa a queda do herói. A traição da esposa faz parte de intrigas políticas e espionagem, nas quais ela obedecia ordens e sucumbia a ameaças para descobrir o segredo da força do marido.


Moisés

Considerado o maior líder do povo hebreu, Moisés foi um feiticeiro do deserto com incríveis poderes. O herói da profecia foi criado como príncipe, enquanto seu verdadeiro povo era escravizado. Ao descobrir sua origem, o filho adotivo do faraó entra em conflito pessoal e mata um dos guardas egípcios para defender um escravo. De nobre a criminoso, Moisés foge para o deserto.

No exílio, encontra um mentor, o sacerdote Jetro, e passa anos em paz até receber o chamado para libertar seu povo. Ele retorna ao Egito e com seus poderes fantásticos, como transformar seu cajado em serpente e invocar a morte, ataca o faraó de várias maneiras na forma das dez pragas. Quando finalmente liberta seu povo, ainda precisa atravessar uma barreira natural e, mais uma vez, demonstra o poder da sua magia ao abrir as águas do mar, dando passagem segura a milhares de pessoas e afogando, em seguida, os soldados que os perseguiam.


Davi

Em determinado momento da guerra entre hebreus e filisteus, acontece um desafio. Os filisteus propõe que apenas dois combatentes lutem entre si para definir o vencedor da batalha. Eles apresentam um gigante como seu campeão e nenhum dos hebreus, a princípio, têm coragem para lutar, o que causa a zombaria dos adversários.

Quando o profeta Samuel vai a casa de Jessé, procurando o escolhido de Deus, Davi chega a ser ignorado pelo pai, por ser o mais novo e fraco dos irmãos. O sétimo filho, no entanto, é aquele que herda ou recebe algum tipo de poder ou missão.

Em sua juventude, um dos maiores reis das histórias, era um humilde pastor de ovelhas e talentoso harpista, sua experiência em combate era apenas com os animais selvagens que atacavam seu rebanho, contra os quais usava uma funda para arremessar pedras. A mesma arma que usou para derrotar o gigante no campo de batalha com um único golpe.

Depois da vitória, Davi ganha prestígio entre os soldados e a inveja do rei que passa a persegui-lo, por temer ser deposto. Porém, graças a amizade e lealdade, ele consegue evitar armadilhas, reunir seu próprio exército e conquistar o título de líder maior entre os hebreus.  

Mesmo depois de se tornar rei, a vida de Davi não fica mais fácil. Seu próprio filho, Absalão, trama contra ele e entram em guerra declarada. Muitos outros dramas familiares compõem a história que, para a maioria, é conhecida apenas pelo combate contra o gigante.


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