Guanabara Real – A Alcova da Morte

Título: Guanabara Real – A Alcova da Morte | Autor: Enéas Tavares, Nikelen Witter, A. Z. Cordenonsi| Editora: AVEC | Gênero: literatura brasileira, policial, suspense, steampunk | Páginas: 208 | Ano de publicação: 2017 | Nota: 4,0/5,0


Rio de Janeiro, ano de 1892. Há apenas 3 anos o Brasil é uma república. O honorável presidente da época é o Floriano Peixoto, e a lei diz que é crime negar emprego a um indivíduo por sua raça ou por seu gênero. Um cenário histórico onde nosso enredo cheio de suspense e máquinas maravilhosas se desenvolve.

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Os personagens principais são os integrantes da agência de detetives Guanabara Real, que foi fundada por uma mulher, Maria Tereza Floresta, e emprega um místico de origens indígenas, Remy Rudá, e o engenheiro negro, Firmino Boaventura. Enquanto lia o texto, essas características me saltaram aos olhos porque numa história tipicamente brasileira esses são elementos que não podem faltar, além de marcar com força nosso cenário onde ser negro, índio ou mulher era algo visto com maus olhos.

Nossa querida agência não tem uma “boa fama”, pois vive um caso de amor e ódio com a polícia. Os agentes alegam que a polícia não faz seu trabalho direito, e a polícia diz que eles são intrometidos e que só fazem atrapalhar o bom serviço da força policial. Seja como for, e apesar de tudo, vez ou outra eles trabalham em conjunto buscando o bem maior, que é prender os malfeitores e proteger os cidadãos.

No livro, a cidade do Rio de Janeiro, capital da república, vive um momento de empoderamento. O respeitoso Barão dos Desterro promete trazer desenvolvimento e glória para a jovem república. Assim, ele compra as terras do Corcovado, acaba com todos os crimes que ali aconteciam e começa a construir um marco para enfeitar a cidade. Uma estátua gigantesca em cima do Morro do Corcovado. Por um instante achei que ele estava falando do Cristo Redentor.

Com a obra entregue e inaugurada haveriam visitas àquela estátua no futuro, uma festa se segue para comemorar o feito e a grande visão do Barão, quando um crime é descoberto. Por “coincidência” Maria Teresa está lá e pode ver, junto com o delegado, a cena do crime. Ela observa que é um cenário intrigante e sugere ao delegado que ele a deixe contatar seus associados para que juntos possam jogar alguma luz ali. Contra a vontade, o delegado permite.

Desse modo, entram em cena Firmino e Remy. O primeiro um engenheiro centrado e pé no chão, que sabe que nem tudo é flores e que na vida devemos lutar com unhas e dentes e, quem sabe, alguns passes de capoeira para estar vivo. Já Remy é nosso ocultista. Apreciador das coisas boas da vida, com a qual tem um relacionado de eterno flerte. Os dois junto com Maria Tereza formam um trio interessante e perspicaz, onde um complementa as habilidades do outro.

O livro é cheio de cenas interessantes e inspiradoras. Faz a gente se colocar ali, em pleno Rio de Janeiro republicano, onde as discriminações do Brasil colônia ainda se fazem bem presentes. É um tempo onde você tem elementos passados misturados deliciosamente com elementos tecnológicos que nos faz devanear.

Para você que curte a cultura steampunk é um prato cheio de referências. Se você é jogador de RPG, como eu, vai sentir vontade de chamar aquele teu amigo mestre que curte um cenário um pouco mais sombrio, com entidades celestes duvidosas e cheias de magia tentacular, para uma sessão onde você vai pedir, por favor, para que ele lhe dê uma mão ou perna mecânicos. A gente o deixa escolher.

Uma leitura leve e totalmente recomendada!

Assinatura_Crônicas - Ana

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1 comentário Adicione o seu

  1. Henrique Derlac disse:

    A história do Brasil é rica de elementos que podem ser aproveitados na literatura fantástica. Esse é um ótimo exemplo.

    Curtir

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