Capitã Verna Shamira

A capitã Verna Shamira foi criada como uma personagem “de apoio” em uma das aventuras de Theophilus Yarldey, cujo background já publiquei anteriormente. Entretanto, me afeiçoei a ela e acabei dando mais destaque a suas participações e decidi que ela merecia ter o próprio espaço, por isso publico hoje o background dela.

 

ATENÇÃO: O texto a seguir apresenta cenas de violência e sexo que não são adequadas para todos os públicos. Siga por sua conta e risco.

 


O porto de Beirute

No meio do século XIX, a região do Líbano ainda era parte da jurisdição francesa. Os contínuos massacres entre drusos e maronitas que assolavam a região tiveram pouca publicidade na Europa, provocando uma grande onda de emigração para as Américas. Foi só então que as grandes potências do velho continente se uniram e enviaram uma força expedicionária que forçou o Império Otomano a criar uma província autônoma denominada de Monte Líbano no ano de 1861, ano em que Verna nascera.

Verna e seus pais viviam nas proximidades do porto de Beirute onde os navios das potências europeias aportavam e descarregavam mantimentos e homens para se juntarem às forças tarefas que estavam na região. A paz que a região usufruía não durou mais que uma década. Uma última tentativa drusa de tomar o território acabou gerando grande conflito com as forças expedicionárias.

Foi no meio desse conflito que o casebre da família de Varna fora invadido pelas forças inglesas. O auto proclamado capitão do exército, Frederick Jay-Knivetton, solicitou que a casa fosse desocupada para que servisse como base de operação aos expedicionários. O pai de Verna, apesar de pacífico, tentou defender a família da desapropriação e lançou-se em uma investida inútil contra o capitão que o matou no disparo de um único projétil.

Verna, que não tinha mais do que dez anos, foi forçada a assistir o assassinato de seu pai enquanto a mãe era violentada pelos homens a comando do capitão. Ela gritava descontroladamente, mas o sofrimento da mulher logo foi silenciado com um disparo na garganta.

A garota fora levada para o porto e vendida como escrava para aquele que pagasse mais. Afinal, ela era boa mercadoria, jovem, virgem e natural do exótico oriente. Aquele que deu o maior lance foi um inglês comerciante de tapeçarias.

 

Escrava dos desejos

A menina fora levada para o seu navio e obrigada a servir-lhe de escrava. A princípio, tudo o que Verna fazia era servir comida ao homem. Ele a tratava bem e deixava que ela comesse o que quisesse. Tudo mudou, entretanto, quando ela completou doze anos e seu corpo começou a mudar.

O comerciante logo viu que ela poderia lhe satisfazer de outras formas. Verna transformou-se de simples camareira a escrava dos desejos dele. Aos olhos dela, ele não passava de um homem imundo e nojento. Caso ela lhe recusasse seu corpo, era levada 00e66b101ea075c7bfc7825e693e0d44nua até o convés do navio e assolada na frente de todos os homens.

Seu corpo foi então ficando cheio de cicatrizes provenientes das marcas feitas a ferro quente. Em uma dessas seções de punição que conseguiu se soltar das garras de seus torturadores, ela acabou matando um deles enforcado com as cordas que prendiam seus pulsos. Esse ato rebelde acabou rendendo-lhe um olho a menos.

A garota mutilada fora levada para os porões do navio e a deixaram nua amarrada em uma viga de madeira por dias a fio, sem poder se alimentar ou beber água. Nem mesmo a luz do sol penetrava naquela escuridão e tudo o que a ligava ao mundo exterior era os sons que ouvia. Por vezes, quando cochilava, sonhava que estava morta, mas a dor latejante logo a recordava de sua condição vívida.

Foi naquele porão que Verna passou a odiar os homens e seus desejos sórdidos. Ela nunca havia esquecido o rosto ou o nome do capitão que matara seus pais e que a vendera àquele comerciante. Certamente haveria de chegar o dia em que ela se vingaria de todos eles. Ela não seria mais submissa a homem nenhum.

 

A Vingadora

O comerciante atribuiu a selvageria de Verna às suas raízes orientais e depois daquele incidente no convés manteve-a presa em uma cabine e a visitava somente quando sentia necessidade de satisfazer seus desejos. Quando a hora chegava, Verna era amarrada na cama, para que não pudesse mover os braços ou pernas.

Ela decidiu então que não iria mais lutar. Deixaria que o comerciante fizesse o que quisesse, sabia que no momento certo a hora de sua vingança chegaria. Os homens estavam dizendo que ela estava começando a gostar de ser possuída pelo chefe. Tudo o que ela pensava, entretanto, era em formas de mata-los pois os considerava tão culpados quanto o chefe.

O tormento de Verna só acabou quando ela completou dezesseis anos. Em uma noite de forte chuva, o navio do comerciante estava novamente sobre o Mar Mediterrâneo quando ele decidiu fazer mais uma de suas visitas à sua escrava. Daquela vez ele decidiu entrar junto com os homens antes que eles a amarrassem.

Quando os viu, ela tirou a camisola de tecido grosso e deitou-se na cama, pronta para ser atada. Os homens já estavam preparando as cordas quando o comerciante os dispensou. Algo no olhar de Verna despertava confiança no homem. Finalmente ela havia cedido aos desejos e estava pronta para lhe satisfazer plenamente.

A mulher passou os dedos ao redor dos mamilos aguardando que seu dono se despisse. Não demorou muito para que começassem o ato. O sangue de Verna fervia e o coração batia acelerado. Ela deixou que ele a penetrasse mais uma vez, jogando-se por cima dele na cama enquanto cavalgava.

Verna segurou as mãos do comerciante contra o colchão acima de sua cabeça enquanto acariciava os lábios dele com os dedos da mão livre. Eram visíveis o prazer e a satisfação estampados no rosto do homem que revirava os olhos a cada movimento do quadril da moça. Ela então deslizou a mão até a garganta do seu amante e prensou-a na tentativa de sufoca-lo. Verna sorria enquanto ele agonizava sem conseguir se libertar, sua força era maior do que o comerciante pudesse mensurar. Sem interromper o coito, Verna sufocou até a morte o homem que a transformou em escrava. Aquele era o começo de sua vingança.

 

Encontro com o destino

Quando Verna se levantou, ficou encarando o corpo inanimado do homem que acabara de matar. A sensação de liberdade a preencheu. Havia esperado aquele momento por muitos anos e agora, seus dias de escravidão haviam ficado no passado. Ela sabia que a vingança a levaria para o fundo do mar, mas se morreria, levaria a maior quantidade de homens com ela.

A tempestade havia aumentado e o som dos trovões pareciam abalar as estruturas do navio. Uma gritaria se sucedeu no convés e não demorou muito para que um dos capangas abrisse a porta a procura de seu chefe. Verna os esperava escondida atrás da porta e acertou-lhe um soco no queixo que o atordoou tempo o suficiente para que ela roubasse sua arma e atirasse repetidas vezes até mata-lo.

Ainda nua, mas armada, ela subiu a escada que levava até o convés e se deparou com um ataque pirata. O som que havia pensado ser de trovões era na verdade proveniente do disparo de canhões. O mastro central do navio do comerciante já havia se partido no meio e os piratas duelavam com espadas ou escopetas contra os homens do comerciante.

Verna aproveitou a confusão e atirou em todos os homens que se aproximavam dela. Quando a munição acabou, ela usou a arma como porrete para acertar-lhes na nuca ou no queixo. Uma espada a feriu no ombro e outra próxima ao maxilar. Apesar da dor estonteante, ela urrava e não parava de atacar.

O destino, entretanto, costuma pregar peças e Verna ainda não sabia disso até aquele momento. Os piratas massacraram os homens do comerciante que não pularam no mar em uma tentativa fútil de sobrevivência. O navio fora tomado enquanto ela permanecia cercada pelos piratas entusiasmados com a mulher nua. Eram muitos para que ela pudesse fazer qualquer coisa.

O círculo se abriu dando passagem a um homem de espessa barba e rosto fatigado. Ainda era possível ver a fumaça escapando do cano de sua pistola empunhada. O velho a encarou nos olhos e proferiu uma ordem para que ela fosse levada direto para seu navio. Verna entendeu que fazia parte do saque.

 

Escalada para o timão

Ao contrário do que Verna pensou, ela não se tornou um brinquedo na mão de um novo senhor. Seus dias como escrava haviam ficado a bordo do navio do comerciante. O pirata Hollock a tratava bem e ensinava-lhe como manejar uma espada e os segredos de navegação. Ensinou-lhe também a tocar acordeão e a lidar com a tripulação.

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Por ArtByNath

Verna cresceu e se tornou uma mulher poderosa, respeitada e decidida. O próprio capitão a nomeou sua sucessora em seu leito de morte e foi assim que ela chegou ao timão do navio outrora chamado de Morte Vermelha.

Por ser mulher, ela tinha que se impor e conquistar seu espaço a cada novo dia em um ambiente dominado por homens. Em uma noite ela sonhou com uma tripulação toda feminina e entendeu que aquele era o caminho que deveria traçar até o sucesso. O navio foi guiado de porto em porto enquanto ela substituía a tripulação do capitão Hollock por mulheres que lhe eram leais à mesma causa.

 Foram necessários mais de dois anos para que ela conseguisse o número de mulheres ideal para dar conta de todos os serviços do navio. Quando ela finalmente conseguiu, podia enfim realizar seu objetivo de vida. O navio fora pintado e recebeu o novo nome de Guerreira Oriental.

 

A Conquista dos Oceanos

A nau percorreu os mares ao sul da Europa e ao norte das Américas conquistando espaço e espalhando o terror. Logo a fama de um navio comandado por mulheres se espalhou e o Guerreira Oriental se tornou famoso.  A capitã Verna Shamira e sua tripulação ficaram conhecidas como Sereias Embarcadas e tornaram-se mais temidas pelos homens que as próprias criaturas míticas que lhes renderam o nome.

Apesar de tudo o que conquistou, a capitã Shamira nunca ficava satisfeita. Seu desejo era encontrar-se com o capitão inglês Frederick Jay-Knivetton, responsável pela morte de seus pais e por todo o tormento que sucedeu sua infância para dar-lhe o destino merecido.  O homem, entretanto, insistia em se esconder em terra firme, mas tanto ele quanto Shamira não sabiam que o destino lhes reservara um encontro em breve.

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