O Príncipe Dragão | Netflix

Dos mesmos criadores de “Avatar: A Lenda de Aang”, “O Príncipe Dragão” é uma deliciosa animação high fantasy, com ótimos personagens, diversidade e inclusão.

A variedade de etnias sempre foi comum nas histórias de fantasia, no entanto, alguns grupos não tinham a representação que merecem. Os negros, durante muito tempo, foram associados apenas a vilões, servos ou qualquer outro papel secundário. Essa representação limitada vem diminuindo aos poucos, mas ainda há muito a ser conquistado para  chegarmos em um ponto de equilíbrio.

“O Príncipe Dragão” apresenta os negros como grupo dominante dentro de um cenário de fantasia medieval europeia. O rei dos humanos tem a pele escura e sua etnia não é questionada em qualquer momento. Ele é humano e é o rei, com fortes valores morais. Essas são as únicas características que importam para a história. A cor da sua pele não faz diferença dentro daquele universo, porém, aqui fora há uma grande importância na representatividade.

Mesmo assim, existe o racismo naquele universo. No entanto, aparece na relação entre elfos e humanos. Apresentado através do conflito entre os dois povos e a visão estereotipada que têm um do outro. Enquanto os elfos são vistos como monstros com sede de sangue, os humanos são resumidos em egoístas e gananciosos.

Outro ponto forte na questão social é a inclusão de personagens com deficiência. Amaya é uma mulher forte — em todos os sentidos — que se comunica através da linguagem de sinais, sempre acompanhada por um intérprete. O recurso na narrativa funcionou muito bem para a inserção e representação desse grupo de deficientes, sem causar qualquer incômodo na dinâmica da história. Pelo contrário! General Amaya provoca empatia instantânea e causa curiosidade quanto à sua história de vida. Pela superação da deficiência e ascensão na carreira.

O uso de drogas também é discutido. Apesar de aparecer rapidamente, é possível prever que haverá repercussão nos efeitos da magia negra causando dependência ao usuário.


O ENREDO

A magia desse universo possui, originalmente, seis fontes naturais — Sol, Lua, Estrelas, Céu, Terra e Oceano —, no entanto, há mil anos, um mago humano descobre como utilizar a Magia Sombria, que retira seu poder de criaturas vivas. Considerada uma fonte profana por necessitar de sacrifícios, os elfos e dragões proíbem essa técnica em seu reino e expulsam os humanos de Xadia.

Assim, inicia-se uma guerra milenar, pela conquista e defesa do território.

Ainda no prólogo da série, um evento marca os rumos do conflito. Os humanos matam o Rei Dragão e, aparentemente, seu filho, o Príncipe Dragão, ainda no ovo. Isso provoca a reação dos seres mágicos que tramam a vingança através de mortes com equivalência justa. Rei por Rei. Príncipe por Príncipe.

Rayla, uma jovem elfa da lua, treinada como assassina, compõe a equipe enviada para cumprir a missão, porém, descobre, com suas vítimas, os príncipes Callum e Ezran, que pode acabar com a guerra sem matar ninguém.

O rei, no entanto, tem seu funeral e quem assume o governo dos humanos é o Mago Real, disposto a vencer a guerra a qualquer custo. Enquanto os herdeiros do trono fogem com a elfa, na esperança de salvar todos os reinos.


OS PERSONAGENS

Acompanhamos a jornada de Callum, Ezran, Rayla e Isca, o sapo de luz. Uma equipe formada por jovens idealistas, tentando mudar o destino mundo, em uma viagem perigosa. Tudo que uma boa história precisa para começar.

O príncipe Callum é apresentado como o deslocado que não atende às expectativas dos outros em relação a ele. Sua obrigação é o treino com espada, mas prefere ocupar seu tempo desenhando. Uma ocupação que não é valorizada.  Em sua primeira aparição, vemos como é um artista habilidoso e, mais adiante, descobrimos sua perfeita memória visual e entendemos a utilidade disso para se tornar um mago. O desenho, que ele tanto ama, torna-se muito mais importante e poderoso do que aquilo que era obrigado a fazer.

A sabedoria e inocência infantil são apresentadas através do mais jovem do grupo. Ezran é o filho legítimo do rei e sempre aconselha seu meio-irmão, por parte de mãe, a tentar ser mais próximo do pai. Suas habilidades são mostradas de maneira discreta no início, e só com o tempo aprendemos mais sobre ele e o que tem de especial, além de sua grande esperteza.

Rayla, como o próprio líder de seu grupo de assassinos diz, é a mais habilidosa entre eles, mas lhe falta algo… Nos momentos cruciais hesita e coloca seus companheiros em perigo. A elfa é o paradoxo de uma assassina que valoriza a vida acima de tudo e está disposta a se sacrificar para salvar aqueles que, até pouco tempo, eram seus inimigos.

Os personagens são ótimos e melhoram a cada episódio, apesar de perderem sua naturalidade em alguns momentos. Devido a atitudes que servem, apenas, para forçar o caminho que o roteirista pretende. Tais ações até poderiam ser justificadas pela juventude, mas também acontece quando uma guerreira experiente dá oportunidade ao vilão para seguir com seus planos sem maiores dificuldades.

Talvez eu esteja sendo muito crítico nesse ponto, mas, para um enredo tão interessante, fiquei desapontado com recursos que, para mim, causaram um ruído irritante na agradável melodia que compõe essa narrativa. De qualquer forma, são poucas vezes que isso acontece e não impede de aproveitar todo o resto.

Nota: 4,8

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