Astúcia

Os aventureiros haviam cruzado um perigoso descampado, o que lhes custou três dias. Um guerreiro draconato, um clérigo anão e um elfo ladino.

Ao chegarem num vilarejo, vinham no encalço de um inimigo, mas acabaram por perder seu rastro. Mas nem tudo estava perdido, pois havia um sacerdote que desejava conhecê-los, pois partilhava do inimigo em comum.

Foram os aventureiros à taverna, subindo até um dos quartos.

A porta foi aberta.

Um anão, apenas de toalha, aterrorizou os recém-chegados:

– Chama teu pai, Oh cria de urso! – ordenou sem modos, o guerreiro.

– Este deve ser o sacerdote… – afirmou o clérigo anão, entretanto, sem convicção.

– Para mim este escapou do submundo! – alegou o ladino, apontando a criatura peluda e atarracada.

– Ora, o que querem? Acaso se trata de alguma apresentação humorística? – questionou o anão seminu. E continuou – Não vejo público para este circo, constato apenas a chegada dos palhaços!

– Perdão pelas palavras degradantes dos meus companheiros, eles não têm bons modos… – tentou desfazer o mal, o clérigo visitante.

– Mas finalmente: o que desejam? – Quis saber o sacerdote.

– Soubemos que solicitou nossa presença, pois nossa missão é de vosso interesse.

– Entendi perfeitamente. Então entrem – convidou-os o sacerdote.

No quarto, o importante sacerdote iniciou sua explicação:

– Caros aventureiros, eu também busco o mesmo inimigo! Aliar-nos é algo imprescindível, desejo, sinceramente que se juntem a nossa campanha contra o mal.

– Decerto que sim, caro senhor! – concordou o clérigo visitante.

O draconato assentiu favorável e da mesma forma, o elfo.

– Mas não pensem que será tão simples assim! – avisou o pequeno – Preciso testá-los para saber o quanto podem nos ser uteis. O que acham disso?

– Não vejo problema com isso. Sou um homem de armas! – afirmou o combatente.

– Digo o mesmo! – concordou o clérigo.

Apenas o elfo permaneceu calado, observando a tudo ao seu redor.

– E você criatura, o que diz? – indagou o sacerdote.

– Não desejo ser testado! – disse de forma ríspida enquanto arrumava suas tranças e analisava o teto, o elfo.

– Me parece que não tem qualquer competência – insinuava o sacerdote.

– Tens razão… – sorria pelos cantos dos lábios, o elfo.

– Então que se retire! – Dirigiu-se a porta o anfitrião, destrancando-a, indicando o corredor ao ladino.

– Sim, como queira senhor… – e foi saindo, o arteiro elfo. Ainda, antes de abandonar o aposento, se voltou para o anão que segurava a porta – Tudo bem caro sacerdote… Mas antes de ir-me, toma aqui sua toalha, pois tua nudez está provocando náuseas aos que passam no corredor…

Assinatura_Crônicas - Ricargo Old Folk-09

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