O Ídolo de Barro – Parte 02

Capítulo II

Era noite quando Bernt retornou de um longo dia de trabalho na taverna, se deparou com Ilsa, ela estava caída, seu rosto afundado na neve. Ficou muito satisfeito com o que presenciara, pois ela já se encontrava sem vida. Contudo, precisava fingir grande pesar, coisa que soube fazer muito bem.

Constatou-se que Ilsa fora acometida por um mal súbito, desmaiando. E o frio acabou por levá-la a morte. O que nunca se explicou foi como a cabeça da pobre mulher havia afundado tanto na neve sem que houvesse sofrido violência alguma.

Logo após sepultar sua companheira, Bernt despachou seus filhos para junto dos avós maternos. Alegara problemas de saúde.

E o inverno prosseguiu o seu caminho natural.

Mas mesmo o mau tempo não era capaz de suplantar a felicidade de Bernt, pois podia buscar a companhia das rameiras sem se preocupar com as desculpas que teria que daria a sua esposa. O que ele fizesse não importaria a mais ninguém.

Uma semana havia se passado.

Quando em uma, sozinho e de portas fechadas, o taverneiro reclamava da pouca clientela nos últimos dias. E mais uma vez, o ídolo a tudo escutava sem nada a declarar, inexpressivo como todas as estátuas de barro. Bernt tinha em mente seu próximo sacrifício, bastava que o inverno chegasse ao fim; seria um belo bezerro.

De repente, pelo lado de fora, alguém acabou de desferir um golpe na porta da taverna, tão poderoso foi, que arrebentou a trava que a mantinha firme.

A porta rangeu, e passos pesados adentraram o recinto. Bernt encontrou esconderijo por detrás de uma cortina. Rezava a sua divindade, pedia para que não fosse encontrado pelo invasor. Os passos indicavam alguém que perambulava pelo salão, e vasculhava-o sem pressa. A madeira do assoalho rangia ante o peso do desconhecido. Nesse instante, suas orações se intensificavam.

Mas então, se seguiu um silêncio inquietante, mais frio que a neve que caia do lado de fora. Bernt não ousou mover um músculo sequer, mal respirava. Mas subitamente, a cortina que o recobria lhe foi arrancada com um solavanco, e o infeliz rodopiou e caiu pesadamente no piso. Assentou-se, se endireitando, pretendia levantar, entretanto, homem alto, loiro, e de espessas sobrancelhas caninas e olhos cinzentos, o apanhou pela garganta, abafando sua voz, lhe esmagando a garganta.

A visão de Bernt turvara-se, porém, dera-se conta de uma segunda pessoa no recinto; trajado inteiramente de negro, este mesmo desconhecido acabou gesticulando alguma coisa para o loiro, algo que o pobre taverneiro pendurado pelo pescoço foi capaz de compreender.

E Bernt, subitamente acabou desmaiando.

Assinatura_Crônicas - Ricargo Old Folk-09

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