Theophilus Yardley – O mago artesão

Este é o background de um personagem criado para uma estranha aventura de RPG – Filhos do Éden (Baseado em D&D) que se passa em uma realidade alternativa steampunk.


Theophilus Yardley nasceu em Londres no ano de 1861, o sexto filho de Orpheu Yardley e Elizabeth Porty. Orpheu foi filho do famoso Jasper Yardley, um dos lordes da coroa inglesa. Quando Theophilus nasceu, foi motivo de grande alegria para família. Tudo que seu pai desejava era ter um herdeiro do sexo masculino, mas suas cinco primeiras crianças haviam sido todas garotas, uma peça pregada pelo grande Relojoeiro, ele dizia.
Orpheu já tinha quase cinquenta anos quando Theophilus nasceu e tratou logo de treinar o filho para substituí-lo um dia. Theo, como era chamado por sua mãe e irmãs, com o tempo tornou-se um perfeito cavalheiro, assim como seu pai queria, entretanto, quando ele estava entrando na adolescência, havia descoberto algo que lhe agradava mais do que os estudos de etiqueta ou equitação: a magia.

Theophilus Yardley - O mago artesãoO gosto pelas artes místicas, entretanto, não surgiu do nada. Em uma manhã de domingo, enquanto ele cavalgava pelos arredores da cidade, seu cavalo pisou em um buraco derrubando Theophilus e caindo por cima dele. O cavalo assustado (e aparentemente sem machucados) fugiu galopando, enquanto ele não conseguia se levantar sozinho, qualquer movimento na perna esmagada fazia seu corpo inteiro doer. Seus gritos por ajuda pareciam em vão, estava muito longe de qualquer sinal de civilização, não o encontrariam ali. Bom, acontece que alguém passava ali por acaso (ou não), uma garota.
— Meu nome é Daracha Margaret McRae Chrisholm. — Apresentou-se ela. — Mas pode me chamar de Dara.
Dara, a menina de pele branca e cabelos de fogo ajudou-o a se libertar e usou seus talentos de curandeira para curar o ferimento. Theophilus nunca havia visto magia de perto e a simplicidade do ato da garota o encantou de vez. Estava decidido que precisava aprender magia.
Os anos se passaram e a amizade entre os dois crescera sem igual. Daracha ensinara magia para Theophilus, que mais tarde a aperfeiçoou criando inventos que funcionassem em perfeita sintonia com sua essência mágica. A dupla de magos artesãos (como ficaram conhecidos) tornou-se imbatível e viajou por todo o país realizando trabalhos e missões conforme eram solicitados.
Entretanto, um evento acabara colocando um fim às suas aventuras. Lorde Orpheu Yardley sofre uma parada cardíaca que acabou levando-o a morte. Theophilus é obrigado a retornar para sua casa e assumir o posto de Lorde Yardley que seu pai deixara vazio. Daracha então continua realizando suas missões enquanto Theophilus cuidava da burocracia que lhe cabia.

Tudo indicava que os dois não se encontrariam tão cedo, mas em uma das noites em que trabalhava até tarde no escritório de seu pai, Theo encontra uma misteriosa gaveta secreta cheia de documentos referentes a Ordem Negra, mas o que seria isso? Ao que tudo indicava, seu pai estava investigando tal ordem quando morrera. Será que a sua morte não havia sido
natural como todos foram levados a pensar? Parecia que Theophilus tinha um assunto para resolver fora daquele escritório…
Arredores de Cambridge, 1883
Theophilus havia arrumado as duas xícaras de chá sobre a mesa e conferiu o relógio que tirou do bolso de seu colete cinza. Na tampa do relógio, havia um olho azul que varreu o casebre rapidamente antes que Theophilus o guardasse novamente. Estava quase na hora, faltava arrumar alguns pequenos detalhes, tudo deveria estar perfeito. Ele estava em um pequeno casebre feito de madeira do chão ao teto. O que deveria ser uma janela fora selada com ripas de madeira pregadas de forma irregular. O local contava apenas com uma mesa no seu centro, três cadeiras, uma de frente e as outras duas de costas para a única porta. Frestas abertas no telhado permitiam a passagem da luz solar que realçava a poeira que preenchia o local. Em cima da mesa, junto com as xícaras de chá, ele havia colocado em lugar de destaque a pequena pedra de Alexandrita, um dos minerais mais raros do planeta. Sob o colete, Theophilus usava uma camisa branca e as calças pretas pareciam unidas às botas de couro. Um tapa-olho de couro negro curtido com detalhes dourados ocupava o lugar onde antes havia pertencido ao seu olho esquerdo.

steampunk-7Para deixar tudo como deveria, ele arrastou uma das cadeiras que estava de costas para a porta até perto da janela, conferiu se estava no lugar certo fazendo um esquadro com o polegar e o indicador de ambas as mãos. Perfeito, estava pronto para recebê-la. O cachimbo que carregava sempre consigo foi aceso exalando uma fumaça fina avermelhada que ele olhou de canto e suspirou. Sentou-se na cadeira de frente para a porta, deixando a bengala encostada do seu lado direito. Mais uma conferida no relógio o fez sorrir. Ela está atrasada, pensou.
O som da madeira estralando o alertou de que alguém estava forçando a entrada no casebre. Três batidas fortes antecederam a entrada de cinco homens armados, vestidos com sobretudos pretos e botas de cano alto afiveladas com couro na altura dos joelhos. As pistolas que tinham nas mãos eram equipadas nas laterais com três frascos com um líquido esverdeado que era capaz de dar três tiros de éter-liquido, mais perfurante e letal do que qualquer munição feita de metal. Nada que Theophilus não havia visto antes. Os homens se espalharam pelo casebre fechando o cerco.
— Quem é você? — Perguntou um dos homens.
Theophilus sorriu e passou uma das mãos nos cabelos loiros cuidadosamente penteados para trás.
— Vocês que acabaram de chegar, deveriam se apresentar primeiro. — Respondeu ele calmamente.
— Onde ela está? — Quis saber o homem.
— Olha, estou me perguntando a mesma coisa. Eu até preparei um chá — respondeu Theophilus. — Mas ela está atrasada, já deve ter esfriado.
Os homens então olharam as xícaras em cima da mesa e notaram a alexandrita. Era possível ver o brilho em seus olhos, certamente reconheciam o valor da pedra. Aquele que falara parecia ser o líder. Quando ele fez um sinal com a cabeça, os outros homens apontaram as armas para Theophilus.
— Entregue a pedra. — Ordenou o líder. — Ou nós o matamos.
Theophilus assentiu e pegou a pedra com uma das mãos enquanto segurava a bengala com a outra. Deu a volta na mesa em uma exagerada atuação de quem tinha a perna machucada
e estendeu a pedra ao líder. Quando este tentou pegá-la, Theophilus fechou a mão escondendo a pedra.

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— Eu pensei melhor — disse ele — e acho que não poderei entregar a pedra a vocês.
O som das quatro armas sendo destravadas ecoou pelo casebre. O líder sorria desafiante, afinal, eles eram cinco homens armados contra um desarmado, a vitória era clara. Theophilus retribuiu o sorriso e com uma agilidade inesperada, girou a bengala no ar acertando um dos capangas na barriga e desarmando outro. Não houve tempo para que o líder dissesse algo e Theophilus já estava acertando um terceiro capanga com um soco no nariz. Houve um disparo; um projétil verde deixou a pistola passando ao lado de Theophilus e acertando a parede do fundo.
— Dois. — Ele contava em voz alta.
Aproveitando a oportunidade, usou a parte superior da bengala para agarrar a cadeira que havia colocado perto da janela e ergueu-a no ar dando-lhe um chute que a fez atravessar o casebre acertando um dos capangas em cheio.
O líder do grupo, irado como estava, tentou inutilmente acertar Theophilus na barriga com um soco. A sua agilidade superava a de qualquer combatente naquela sala. Ele girou sobre a perna esquerda desviando-se do ataque e contra-atacou acertando o homem no rosto com a ponta inferior da bengala. Uma descarga elétrica percorreu o corpo do prócer fazendo-o tremer e cair no chão.
Àquela altura, o primeiro que levara um golpe de Theophilus se levantou ainda zonzo e tentou desequilibrá-lo com um golpe na perna esquerda, mas prevendo o que aconteceria, ele transferiu o peso do corpo para a perna direita e devolveu o golpe acertando um chute no tórax do homem que fora lançado na direção da janela. As ripas de madeira que a selavam foram arrancadas e o homem caiu fora do casebre. Mais um disparo foi feito pelo único homem que continuava em pé próximo a porta, suas pernas tremiam e os pulsos fracos não permitiam que ele mirasse bem. Está com medo, percebeu Theophilus.

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— Um. — disse ele olhando para o atirador, que parecia ser o mais jovem do grupo. — Você não quer fazer isso, não é rapaz? Vou ser gentil e te dar a chance de correr, mas caso disparar o último projétil e errar, terá destino pior do que o de seus companheiros.
O jovem nem pensou muito. Ele abandonou a arma, que disparou quando tocou o chão fazendo um buraco no teto. Theophilus olhou brevemente para os outros quatro homens inconscientes dentro do casebre e guardou a alexandrita no bolso do colete, ao lado do relógio. Quando ele saiu de dentro do lugar, um soco tão rápido e forte o acertou no queixo que seu maxilar quase se deslocou.
— Dara! — Ele exclamou quando viu quem desferira o ataque.
— Theo! — exclamou a moça ruiva de olhos verdes levando as mãos até a boca assustada com o que acabara de fazer. — O que você fazia ali?
— Eu estava te esperando para tomar chá. — disse ele em meio a uma careta de dor.
— Eu estou em uma missão. — disse a moça.
— Missão cumprida. — disse ele.
Theophilus pegando a alexandrita do bolso e jogou-a para Dara que agarrou a pedra no ar e levou perto do olho para conferir.
— Você é muito intrometido, sabia? — disse ela.
— E você está atrasada. — respondeu Theophilus que acabara de pegar o relógio do bolso do colete. O olho azul da tampa varreu as proximidades. — Eu preciso da sua ajuda.

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