Dana Yair – A Estrela Elegida pelos Deuses

Olá leitores, este é mais um background de uma das minhas personagem, criada para uma campanha de D&D 3.5. Se quiser conhecer um pouco mais dos meus textos, dá uma olhada no meu perfil do Spirit onde posto minhas fanfics.


Desde muito cedo, eu aprendi que todo conhecimento deve ser compartilhado. Mesmo quando esse conhecimento é apenas uma vírgula no grande livro do universo.

Eu sou Dana Yair, aasimar, paladina de Oghma, caçadora incansável de conhecimento. Muito prazer.

Eu nasci em Skuld, capital de Mulhorand há alguns anos, dentro de uma família abastarda e bem quista tanto na cidade quanto no país, e sob o nome de Akhenaset Bahiti, que significa “fortuna dedicada à Ísis”. Meu pai comerciava tecidos por quase todo leste de Faerun. Éramos abençoados. Meu primeiro amigo foi Kanope. Ele ia comigo a todos os lados, estava sempre disposto a brincar comigo do que eu quisesse e ria das minhas piadas bobas. Crescemos juntos. Aos 8 anos, conheci meu avô, pai de meu pai, Aryeh.

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Até conhecer vovô Aryeh eu sempre me perguntava porque era tão diferente dos meus pais. Apesar do cabelo alourado de papai, o meu era muitos tons mais claros. Mamãe era escura com feições fortes e cabelo grosso. Desde muito pequena, eu me via muito clara de pele, cabelos e olhos, sendo sempre um contraste com meus pais. A única coisa que me distinguia como Mulhorandi era o símbolo dos círculos concêntricos na minha testa.

Se eu fosse lhe contar de tem herdei meus traços eu lhe diria: de vovô. Ao conhecer o homem que era mais alto que papai, mais forte do que qualquer homem que havia conhecido até aquele momento e com os olhos mais azuis que já vira na vida. Eu tinha os traços de seu rosto e olhos, os cabelos eram tão claros quanto. Eu diferenciava de vovô apenas pela dor dos olhos que eram de um âmbar quase dourados. Ao conhecer vovô eu soube: eu não era como papai e mamãe.

Nesse período, vovô passou um bom tempo conosco e mesmo sem mamãe gostar ele me ensinava coisas. Nos períodos em que eu não estava estudando para ser sacerdotisa de Isis, eu estava com vovô, correndo a cavalo, lutando com espadas e aprendendo mais sobre o que ele dizia ser minha língua materna, o celestial. Vovô me contou que eu era uma aasimar, que eu tinha sangue celestial correndo nas veias e que um dia, eu poderia ser como ele e comandar um exército de anjos. Ele me preparava para ser uma guerreira enquanto minha mãe me queria na sua saia, cumprindo os desígnios que ela tinha planejado para mim.

11b6bbf35f96cf8d8de585a583eb4952Foi mais um menos nesse época que descobri que Kanope, meu melhor e mais íntimo amigo, na verdade era um escravo que mamãe comprara. Para cuidar de mim e informar tudo que eu fazia a ela. Eventualmente, eu passei a pensar nele como um amigo, mas isso era só para mim. Quando Kanope não seguia as ordens da minha mãe, ela o punia com chicotadas ou coisas piores. Então, ele nunca desobedecia… Ele lutava por sua sobrevivência e eu tive meu coração quebrado. A partir desse dia, dispensei todos os escravos que pude. Não queria humanos ao meu redor por obrigação. Porém, não consegui me livrar de todos e alguns empregados, dessa vez empregados mesmo, remunerados para me vigiar, tomaram a tarefa de Kanope que foi enviado para outros afazeres.

Ainda criança eu me declarava totalmente contra a escravidão o que deixava meus pais horrorizados. Já vovô dizia que era muito corajoso de minha parte me erguer contra eles, mesmo eu sendo uma criança e depender deles em tudo. As visitas dele começaram a ficar mais esporádicas, porém ainda aconteciam. E quando vovô Aryeh vinha até mim me levava pelo país em seus braços, me mostrava as maravilhas das terras em que eu tinha o privilégio de morar. Mas também me mostrava como era a vida real das pessoas que viviam próximas ao chão. Sempre tendo que lutar dia após dia pelas suas vidas. Nada era como na minha grande casa, confortável, segura e quente.

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Com o passar do tempo, o sistema de governo do país e dos meus pais começou a me irritar. Eu era proibida de quase tudo e tinha que treinar montaria e luta armada às escondidas. Às vezes eu contava com a companhia de vovô, às vezes apenas as estrelas estavam comigo. Um dia, enquanto treinava ao luar para um estilo de luta que vovô chamava de luta às cegas, um rapaz se aproximou. Ele tinha feições parecidas com as minhas, era um pouco mais velho e tinha um andar altivo.

Mekhu se aproximou e se apresentou. Disse que como eu era um aasimar e que vovô tinha pedido para ele me ajudar no que pudesse quanto as armas e a luta. No início fiquei desconfiada, pois vovô nunca o mencionara. Aceitei com certo pé atrás a ajuda oferecida. Ele conversava comigo em celestial e dracônico. Era ótimo ter alguém com quem conversar naqueles tempos.

Foi Mekhu quem me contou que no mundo, não só existiam os deuses que eu conhecia. Que existiam muitos outros e cada um com uma personalidade própria. Percebi que Mekhu, apesar do nome e dos traços, não tinha vivido toda sua vida em Mulhorand. Ele mesmo me contou que não acreditava no panteão Mulhorandi, e sim em Tempus, o deus da guerra, das batalhas e o abençoador dos guerreiros. Ele falava com tamanho fervor que me interessei em saber mais sobre esse Tempus, não me identificava muito, mas era algo diferente.

Ele me trouxe um livro que explicava como Faerun havia sido criada. Como o deus Ao tinha feito cada pequeno e minúsculo detalhe para que os seres mais diversos vivessem aqui. Ele também criou outros deuses e cada deles criou outras, preenchendo assim todas as lacunas. A história era linda e eu me apeguei a ela. Lia atentamente um pouquinho cada noite. Conhecia um pouquinho mais de cada deus. Para mim, eles eram próximos, mais próximos do que os deuses que ouvia falar dia após dia pela cidade.

Um dia, mamãe me pegou lendo o livro. Eu fui castigada. O livro queimado. Fui chamada de herege. Mamãe não admitia que eu adorasse outro deus que não Isis, a mãe de todos. Naquele dia eu chorei. Eu rezei. Rezei para que eles me desse a inspiração necessária para sair daquele tormento. Pedi que me guiassem, pois eu me via sempre muito perdida entre o que meu coração queria e o que minha mãe ordenava.

Minhas preces foram atendidas… Durante a noite, depois de dormir de tanto chorar, cansada e muito triste, eu tive um sonho. Eu já não estava no meu quarto, machucada tanto física como mentalmente, eu estava numa espécie de floresta, densa e clara. Parecia meio da tarde de um dia de primavera, pois o cheiro ali era de flores. Uma música chegou até meus ouvidos e a seguindo dei uma torre. Meu caminho seguia torre a dentro e lá havia muitos, mas muitos livros. Eu queria ler todos, mas a música ainda me cativava o coração. Seguindo os compassos, cheguei até uma sala ampla com livros de cima a baixo, uma escrivaninha com uma aparência de muito antiga, toda entalhada no meio da sala em cima de um tapete circular.

Oghma– Ora… – um homem jovem ergueu seus olhos de um papiro que lia em cima da mesa e me fitou – Finalmente você chegou. Venha. Preciso que leia isso. E memorize.

Sem entender muito bem, fui caminhando devagar para perto do homem que nem me longe me assustava. Perto dele havia uma aura bondosa, seu sorriso era afável e sua voz melodiosa como a música que tocava ao fundo.

– Desculpe, acho que está me confundindo com outra pessoa. – ele negou com a cabeça.

– Não, é você mesma que eu quero aqui. Venha olhar isso.

Depois do segundo pedido, e com curiosidade, me aproximei da mesa e fitei o que tinha em cima da mesa. Para minha surpresa era um mapa. Eu deslizei meus olhos por toda a extensão dele e notei que em um pedaço dele havia uma representação de Mulhorand.

– Isto, minha filha, é Faerun. – ele fez um movimento com a mão – Está vendo onde Mulhorand está? – ele apontou e eu assenti – É apenas uma faixa de terra… Um país no meio de tantos outros que foram esse mundo maravilhoso. Não sente vontade de conhecer outros lugares? Outras pessoas? De saborear o conhecimento que se adquire quando se deixa as amarras para trás?

– Eu sei… Mas… Minha mãe… – ele pegou minha mão e ergueu meu queixo para olha lo nos olhos.

– Minha criança, sua mãe é um grãozinho de areia numa vasta praia. Confie em mim. Ela não poderá mais lhe segurar. Você está crescendo e com você sua herança. Você deve seguir seu coração. Eu sei pelo que ele anseia.

– Como você sabe o que tem no meu coração?

– Porque, criança, eu sei tudo. – e com um sorriso dele eu acordei.

Ainda havia machucados pelo corpo, mas meu coração estava curado. Atiçada pela curiosidade comecei a procurar sobre o homem do sonho, pois eu tinha a intuição de que se tratava de um deus. Não demorou, eu descobri se tratar de Oghma, o deus do conhecimento. Não só conhecimento como inspiração, invenção, sorte e viagens. Ao seguir a trilha de pão, notei que tudo fazia sentido. Oghma estava pedindo para eu sair de Skuld, conhecer o mundo, seguir meu coração, adquirir conhecimento.

Eu não tinha muita liberdade, mas logo eu completaria 15 anos e eu teria que ser mandada para a escola de Isis, onde eu seria preparada para ser a esposa que toda mulher Mulhorand da família Bahiti deveria ser. Aproveitei o tempo e me preparei para a viagem. Eu lembrava com detalhes do mapa que Oghma colocara em minha frente. Sabia para onde tinha que ir.

Mekhu e vovô me ajudaram mesmo sem eu dizer para o que. Vovô me deu sua espada, Mekhu arrumou uma roupa de guerreiro e eu sabia onde arrumar cavalos na noite que precede a entrada na escola. Todas as meninas da minha idade eram levadas até Aina para um treinamento num dos templos lá existentes. Porém uma noite antes da entrada haveria um ritual de purificação e só no dia seguinte as moças poderiam entrar na cidade.

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Conhecendo isso, e com a ajuda que tinha conseguido, eu armei meu plano. Aceitei ir para a escola e organizei meu enxoval como deveria ser. Porém me pegou de surpresa na véspera da viagem, mamãe e papai prepararem um jantar especial e chamarem a família Nubar para ele. Na minha cabeça tudo corria bem, quando papai e o patriarca dos Nubar se ergueram e brindaram. Trocaram presentes e viraram para mim.

– Filha, você já completou 15 anos, já vai para a escola de Isis, a partir de agora você é uma adulta e como adulta deve assumir seus deveres para com a família e o país. A família Nubar e nós entramos em acordo e quando você voltar da escola casará com Harmhabi. Juntos vocês formarão uma linda família. – todos riam e o rapaz em questão aproximou-se e beijou-me os lábios.

Eu fique estática enquanto o estranho rapaz prendia uma pulseira muito cara no meu braço. O resto do evento foi um borrão. Estava ansiosa para partir e deixar pra trás uma vida onde nunca nada do que eu desejava era levado em conta. No dia seguinte, entrei na caravana que nos levaria a Aina. E algumas noites depois, eu fugia num cavalo roubado para longe dali.

Assinatura_Crônicas - Ana

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