Ruffos Graylock – O Portador da Revelação (Parte 01)

Olá leitores, este é a primeira parte de mais um Backgound de personagem criado para jogar em uma campanha de Dungeons and Dragons 3.5

Espero que curtam e aguardem a segunda parte!

Ruffos nasceu na cidade de Daggerford, mas quando ainda era recém-nascido seus pais o abandonaram em um monastério de Kelemvor onde viveu por 7 anos, até conhecer os “Pequenos insetos” um pequeno grupo de garotos de rua que realizavam pequenos furtos na localidade. Encantado com um novo mundo de possibilidades (e por não ter se apegado tanto aos dogmas de Kelemvor) Ruffos fugiu do monastério e se uniu aos pequenos insetos onde passou a viver grandes aventuras.

Cinco anos depois, Ruffos já era o líder dos “insetinhos” quando um certo grupo de mercenários chegou a cidade. Aquele não era um grupo comum, chamavam atenção pela diversidade racial dos seus integrantes e Ruffos ficou encantado com as armaduras brilhantes, as armas afiadas e a presença heroica que aquele grupo emanava.

– Estamos em uma missão de recuperação de uma joia real – Disse Mantus, o líder dos mercenários ao entrar no centro de treinamento da cidade, onde encontravam-se vários aventureiros – O problema é que a penetração no local onde essa joia se encontra requer cautela e furtividade, porém, como podem ver não temos ninguém com essas características em nosso grupo, a missão não será nada fácil e corremos um grande perigo desempenhando-a, porém, se conseguirmos conlui-la teremos uma grande recompensa por parte de nosso contratante, além dos espólios que conseguiremos no decorrer da tarefa, alguém se habilita? – Ruffos se esgueirava por entre os aventureiros e ao perceber que um silencio se instaurou no lugar, o pequeno ladino levantou a mão, estufou o peito e disse: – Eu me habilito! – Todos voltaram seus olhos para o garoto e começaram a rir.

Mantus, se aproximou de Ruffos e como quem já esperava por uma atitude assim, perguntou: – Tem certeza garoto? Esta é uma missão bem difícil –  O garoto nada disse, apenas encarava o guerreiro com determinação.

– Vejo potencial em você – Prosseguiu Mantus – prometo que se tudo der certo estaremos de volta em no máximo 6 meses – Ruffos ficou extremamente feliz, não só pela recompensa que ganharia, mas também pela experiência que teria ao lado de tão valorosos guerreiros.

Ruffos

Foi então que motivado pelo desejo de aventura e pela vontade de conhecer outros lugares, decidiu aventurar-se com os mercenários e despedir-se dos insetinhos, mas não sem antes deixar um outro líder em seu lugar.

– De agora em diante você será o responsável pelos Pequenos Insetos, grande Mijorn – Disse Ruffos para o maior de seus amigos.

– Tome conta deles até eu voltar e então dividirei com todos a minha parte da recompensa, acredito que assim poderei melhorar a vida de todos nós – Mijorn era o mais alto e mais forte do grupo e apesar de jovem já tinha tatuagens espalhadas pelo corpo e aparentava ser mais velho que sua idade, ele se tornaria um poderoso combatente.

Após se despedir do grupo, Ruffos seguiu com os Mercenários, o grupo era formado por seis guerreiros, todos eles muito bem armados e equipados, Mantus era o líder e o mais velho, utilizava duas espadas bastardas as qual chamava de Mabel e Rúbia.

Felix era o menor do grupo, sempre muito calado e recluso vivia lendo um livro de capa vermelha e até então não aparentava carregar nenhuma arma poderosa, apenas um cajado feito de madeira.

Luana era uma das duas mulheres do grupo, uma meia elfa que sempre o tratava muito bem, quase como uma irmã mais velha. Ela carregava um longo arco nas costas mas Ruffos não lembra de ter visto nenhuma aljava, o que lhe deixou bastante curioso.

Falcon era o maior e mais forte e sua aparente linhagem com os dragões tornava-o ainda mais assustador, principalmente pelo enorme martelo de guerra que carregava consigo, porém acabou se revelando para Ruffos como o mais sábio do grupo quando uma noite os dois ficaram conversando enquanto guardavam o sono dos amigos.

Os dois outros integrante do grupo era Tallos e Varna, um casal de irmãos gêmeos que passavam a maior parte do tempo conversando apenas entre si, ela carregava consigo uma besta bastante peculiar, cheia de engrenagens e mecanismos que Ruffos não compreendia, mas o símbolo de Gond estampado em sua túnica deixava claro de onde era aquela arma tão exótica, enquanto Tallos utilizava uma armadura pesada e carregava consigo uma linda espada larga nas costas, parecia sempre muito bem educado e nas poucas oportunidades que Ruffos teve de trocar algumas palavras com ele, Tallos sempre falava em Torm e de como era recompensador servir a Fúria Leal.

Mercenários
Da esquerda para a direita: Mantus, Felix, Luana, Falcon, Varna e Tallos

Cerca de dois meses depois, o grupo finalmente chegou no local da missão. A noite se aproximava quando Mantus decidiu montar acampamento no topo de uma colina e com uma luneta em mãos, o líder dos Mercenários mostrou para o jovem ladino o pequeno, porém bem protegido, acampamento bárbaro que ficava logo abaixo.

– Vamos atacar ao amanhecer – Disse Mantus desenrolando um mapa na grama – Eu e Falcon criaremos uma distração atraindo os guerreiros mais fortes enquanto Luana e Varna alvejam de lugares estratégicos aqueles que não conseguirmos dar conta ou aqueles que se desviarem de nossa distração, Felix e Tallos flanqueará pela esquerda e pela direita utilizando o elemento surpresa minutos depois do primeiro ataque – E neste momento Mantus olha diretamente para Ruffos –  você entrará no meio da confusão, Felix te ajudará com uma magia porque provavelmente você encontrará alguns soldados na tenda principal, sua missão é resgatar a joia e traze-la para o nosso acampamento, quando você sair da tenda com a joia, Varna e Luana farão a sua escolta, todos de acordo? – Um sonoro sim foi proferido e alguns minutos depois, todos foram descansar pois teriam uma árdua missão pela frente, mas Ruffos parecia ainda digerir a informação. A ficha começara a cair e o ladino finalmente começava a sentir o frio na barriga que antecede um grande evento.

Ainda estava escuro quando todos se preparavam para descer a colina. Luana, percebendo a insegurança de Ruffos, se aproximou do jovem e o entregou uma adaga

– Está comigo a muito tempo, matei meu primeiro alvo com ela, talvez lhe traga sorte – E com um sorriso lhe deu um beijo na testa, tentando tranquilizar o ladino que ainda tremia ao imaginar o que viveria em instantes.

Estavam todos preparados em seus devidos lugares quando o primeiro raio de sol cortou o céu. A missão iniciou como planejado, o acampamento mercenário não tinha tantos guerreiros como imaginavam e aos poucos Mantus e Falcon conseguiram avançar, era incrível como apenas dois guerreiros conseguiam lidar com tantos oponentes ao mesmo tempo, foi então que Ruffos percebeu que não estava entre meros Mercenários mas sim entre verdadeiros heróis, isso lhe deu mais confiança e assim, sentiu-se preparado para desempenhar o seu papel.

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Ao ver a explosão esverdeada proveniente dos feitiços de Felix, Ruffos precebeu que aquele era o sinal para agir, então desceu a colina decidido a triunfar em sua tarefa. Chegando no acampamento, em meio ao caos o jovem ladino conseguiu entrar despercebido na tenda principal mas foi surpreendido por quatro soldados que montava guarda no recinto, mas estranhamente os soldados não conseguiam perceber a sua presença. Ruffos estava sob um dos feitiços de Felix e aproveitou a oportunidade para entrar na tenda da sem ser notado. Ele foi em direção ao pequeno quarto onde provavelmente repousaria a joia, mas ao entrar Ruffos finalmente entendeu a importância da missão, pois no quarto o Ladino encontrou uma elfa que vestia um manto branco, quase transparente, muito semelhante a roupas que alguns grupos arcanos utilizam em rituais, ela estava amarrada a pilastra principal da tenda e parecia muito debilitada, pois jazia caída ao chão quase desmaiada.

Ruffos se aproximou lentamente da prisioneira e ao toca-la o ladino teve uma pequena visão, viu sua cidade em chamas, pessoas correndo e gritando e quando voltou a realidade, a elfa o olhou nos olhos e com uma expressão de urgência, explicou que ela é o objetivo de sua missão e que tinha sido sequestrada por ser a portadora de um grande poder.

Ruffos começou a desamarra-la atrapalhando-se com os nós, mas a elfa falou que não seria necessário, alertou que sua missão fracassara e que ele teria grandes perdas naquele dia, mas o Ladino estava obstinado a tira-la de lá e não deu muita importância para o que ela dizia. Foi então que ela segurou firme em sua mão e disse que teria que partir mas que eles se reencontrariam futuramente.

– Ouça-me Ruffos – Disse a elfa enquanto segurava firmemente seu rosto – Eu aguardava por esse encontro, aguardava por você, mas precisará ser forte hoje, você não morrerá mas precisará tomar uma difícil decisão – Puxou um pequeno colar que carregava consigo – Voltaremos a nos encontrar, mas até lá, quero que guarde isto pra mim – e abrindo a mão de Ruffos, deixou a joia escorregar por entre os dedos e então, desfaleceu. O ladino não conseguia entender o que tinha acabado de acontecer e por mais que não a conhecesse, Ruffos sentia uma grande tristeza em seu peito e uma onda de lagrimas invadiu seus olhos tornando a visão turva e confusa. O sentimento era de ter perdido alguém muito importante, uma amiga muito próxima. Ele não sabia o que fazer, nunca precisara lidar com a morte tão de perto, então lembrou dos ensinamentos que aprendera no mosteiro de Kelenvor, das inúmeras orações que repetia dia após dia, lembrou das lições ensinadas pelos monges e paladinos, lembrou de sua vida como acólito naquele pequeno, mas acolhedor lugar. Então, com os olhos fechados, Ruffos orou enquanto ouvia os passos dos soldados que se aproximavam

Ao entrar na sala, tudo o que os soldados encontraram foi o corpo da prisioneira que repousava delicadamente no chão.

– Procurem o infeliz que fez isso – Disse um dos soldados – Ele ainda deve estar por perto.

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Os soldados saíram enquanto Ruffos segurava a respiração sentido o coração na garganta num dos cantos daquela pequena sala, tinha esquecido do feitíço de Félix que se mantinha ativo até então.

– Calma Ruffos – Disse para sí – Você precisa manter a calma e sair daqui.

Tudo parecia um pesadelo, Ruffos estava longe de casa, não encontrava seus aliados, estava sendo procurado por enormes soldados de um acampamento bárbaro, a situação havia saído do controle e parecia impossível sair daquele inferno com vida, mas tentando manter-se calmo em meio ao caos, o ladino conseguiu fugir do acampamento e esconder-se nas proximidades. Foi ainda ofegante da corrida que Ruffos viu ao longe o seu grupo sendo sobrepujado pelos bárbaros, apesar de estarem em desvantagem numérica, os nativos eram muito habilidosos e já esperavam um assalto como aquele, tinham guardado sua investida mais forte para o momento crucial da batalha, pois sua tática consistia em fazer o inimigo acreditar que estava vencendo obrigando-os a gastar todos os recursos para alcançar a vitória, e era justamente neste momento que os soldados mais proficientes surgiam em meio a luta, assim conseguiam triunfar sobre o cansaço inimigo. O ladino não teve tempo de compreender o que havia acontecido, quando em poucos segundos uma leva de soldados fortemente armados e visivelmente imbuídos de algum tipo de proteção divina, surgiram no campo de batalha eliminando seus colegas um a um.

Mantus lutava bravamente contra o exército de elite, manipulando com maestria suas duas espadas numa dança letal de lâminas e sangue, fazendo os mais bravos soldados de elite caírem aos seus pés com cortes profundos e membros amputados, formando um verdadeiro lamaçal de sangrento. Apesar de ser um exímio combatente, Mantus se vê forçado a recuar, pois os soldados eram muitos e pareciam se multiplicar, foi quando Ruffos, ainda escondido, viu seu líder deixar o campo de batalha abandonando seus aliados que jaziam caídos.

Ruffos olhou ao redor e percebeu que estava sozinho, seus amigos estavam mortos e seu líder havia fugido, ele ainda conseguia ver os restos mortais de seus amigos sendo devorados por cães selvagens das proximidades. Foi quando uma ansiedade tomou conta do seu peito fazendo seu coração acelerar ainda mais, tornando a respiração cada vez mais difícil.

Ele ainda estava ofegante quando lembrou dos amigos que deixara em Daggerford e das promessas que havia feito, foi aí que ele lembrou que ainda era uma criança, por mais adulto que parecesse, então o sentimento veio à tona fazendo os olhos transbordarem e Ruffos finalmente chorou, colocando pra fora tudo o que guardara esse tempo todo.

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A noite havia chegado e ele continuava escondido, a fome o corroía por dentro mas o cansaço o vencera e Ruffos adormece.

Assinatura_Crônicas - Neto

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